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terça-feira, 13 de março de 2012
Um dia isto tinha que acontecer- por Mia Couto

Para pensar e reflectir...
"Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?"
A fé da ministra

Portugal é um país de clima Mediterrânico, está localizado numa posição estratégica, rodeado pelo mar e com uma grande quantidade de horas diárias de sol. Estão então reunidas todas as condições para que seja um país bastante produtivo e para que a agricultura, a pesca e a criação de gado sejam os pilares da economia do país. Mas isso era há muito, muito tempo atrás. A verdade é que se hoje percorrermos o país de norte a sul são mais os campos que estão por cultivar do que aqueles que estão cultivados.
Para minimizar os impactos causados no sector agrícola, Fevereiro teria de ser um mês bastante chuvoso para reverter a situação, visto que embora chova na Primavera essa precipitação nunca será em quantidade suficiente, mas, tal não se verificou e desde 1931 que já não se vivia um Fevereiro tão seco. Mas a falta de chuva não tem repercussões apenas no sector agrícola, as pastagens de Inverno serão bastante afectadas e tenderão a desaparecer pois ficarão mais sensíveis e vulneráveis a pragas e, o sector animal é o que mais sofre. Com as pastagens a desaparecer, o gado começa a ser alimentado à mão com palha e fenos que estavam guardados para o Verão, aumentando assim o prejuízo dos criadores de gado. Face a isto, o governo terá de fazer, rapidamente um levantamento do impacto do problema e dos prejuízos da falta de água em todos os sectores para accionar mecanismos de ajuda europeia. Assim, foi criada uma “task force” que faz esse levantamento “através de diversos organismos oficiais, que estão em contacto com as associações do sector, para "monitorizar", "sinalizar" e "fazer a previsibilidade dos prejuízos".
Na comissão Parlamentar da Agricultura que se realizou dia 21 de Fevereiro, Assunção Cristas, ministra do Ambiente, do Mar, da Agricultura e do ordenamento do território afirmou entre outras coisas, o seguinte “sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza. Se não vier de todo, não perderei a minha fé mas teremos obviamente de actuar em conformidade". Esta afirmação suscitou-me alguma confusão e não está relacionada com o facto de a senhora ministra ser católica ou não mas sim com "se não vier de todo" é até quando? Até quando o pedido de ajuda europeia se vai arrastar?
Ora, a população portuguesa é maioritariamente católica, cerca de 85% segundo os censos de 2001. Mas e os outros 15%? A quem pedem a chuva?
Até agora, ainda não caiu uma única pinga de água. Das duas uma: ou o São Pedro não está de todo do lado dos Portugueses, ou então estes andam tão ocupados a tentar arranjar soluções com as suas próprias mãos enquanto a ajuda do governo não chega que nem tempo têm para levar as mãos ao céu.
Continuem a rezar, continuem a rezar…
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
"Banqueiro dos Pobres" preciso em Portugal!

O Grameen Bank, o Banco dos Pobres, surgiu em Bangladesh, uma das regiões mais miseráveis do mundo depois de Muhammad Yunus, um professor de Economia, percorrer o país e se deparar com a pobreza e as condições miseráveis em que viviam, ou melhor sobreviviam muitas pessoas.
Na tentativa de obter um crédito de apoio para os pobres, percorreu durante anos os bancos públicos do seu país mas não conseguiu nenhuma resposta positiva acabando por criar a sua própria instituição, onde se concedia aos mais pobres dos pobres microcréditos.
O objectivo principal do "Banco dos Pobres" era, e é, o de estender os serviços de crédito aos mais pobres, dar oportunidades de trabalho e renda aos desprovidos e desenvolver uma forte noção de cidadania, confiança e de auto-estima na população carente:
"Mais do que uma proposta de conceder crédito através de um pequeno empréstimo, o Banco dos Pobres visa, também, romper com um ciclo vicioso do trabalho que estimula a permanência dos padrões de escravidão, do congelamento de uma situação permanente de miserabilidade e da ausência de serviços públicos mínimos para a sobrevivência do ser humano como habitação, saúde, educação, transporte, etc. "
O sucesso foi tão grande que logo se expandiu para o mundo inteiro, mostrando-se não só uma operação viável do ponto de vista financeiro como um forte aliado no combate à pobreza. O "Banco dos Pobres" melhorou em todos os sentidos a qualidade de vida das pessoas. Muhammad Yunus aponta para um período, entre cinco e 15 anos, como o tempo necessário para uma família que beneficia do microcrédito ultrapassar o limiar da pobreza.
"Os pobres estão acostumados a conviver com crises. São pessoas simples, mas altamente criativas. Além disso, o dinheiro não é usado em infra-estruturas complexas, mas em objectivos simples como, por exemplo, a compra de uma máquina de costura ou de tecido para fazer confecções. Concedemos pequenos créditos a pessoas que usam esses recursos para conseguir uma fonte de rendimento. O risco é pequeno porque cada pessoa recebe um crédito muitas vezes inferior a 100 dólares (75 euros)"
Actualmente, Portugal encontra-se mergulhado numa intensa crise. As pessoas voltam a explorar a terra e o mar, começam a racionar todos os seus recursos e a diminuir ao máximo o seu consumo, muitas delas vivem já no limiar da pobreza, mas até onde vai esse limiar? É preciso começarem a morrer pessoas na rua para se tomarem providências? Para sairmos desta situação não precisávamos apenas de um, mas de muitos "Banqueiros dos pobres". A verdade é que naquele espaço e naquele tempo esta foi uma ideia que vingou e que deu resultado mas será que se podia aplicar este método no nosso país e verificar um alívio da crise? Em Portugal, os empréstimos não são cedidos a toda e qualquer pessoa. Estas são sujeitas a uma análise pormenorizada de todas as suas economias, verificando-se assim, um descrédito e uma falta de confiança na população, que Yunus não teve. Os empréstimos pedidos aos bancos são quantias elevadíssimas e que muitas vezes, não são utilizadas em investimentos lucrativos e que permitem o reembolso dessas quantias. Estes empréstimos, são cedidos apenas ás pessoas que apresentam uma garantia em como podem pagar, ou seja a classe alta, uma vez que a crise que afecta o nosso país neste momento está a fazer “desaparecer” a classe média que, há uns anos atrás era constituída por pessoas que conseguiam levar uma vida desafogada. Assim, estes empréstimos não vão beneficiar em nada as outras classes e contribuir para a evolução e desenvolvimento da economia porque “os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres ficam cada vez mais pobres”, gerando-se assim, um desequilíbrio de classes ainda maior. Por outro lado, os Bancos de Portugal não podem emprestar dinheiro a toda a gente que, numa roda-viva lhes recorre neste momento, porque, não têm dinheiro e estão cada vez mais próximos de uma banca rota.
A diferença é o facto de que os empréstimos cedidos pelo “Banco dos Pobres” tal como o próprio nome indica são microcréditos, ou seja são quantias mesmo muito pequeninas, mas que servem para uma pessoa montar um negócio e, com isso conseguir lucro. No nosso país seria completamente impensável ir ao banco pedir um empréstimo de 75€ para montar um negócio, pois os Portugueses são muito ambiciosos, querem tudo para além das suas posses e começar logo em grande e, neste caso isso não é possível.
O livro escrito por Yunus devia ser, pelo menos neste momento, de leitura obrigatória no Parlamento, podia ser que abrisse muitas mentes. Podia ser que o excelentíssimo ministro das finanças se disponibilizasse a andar pelas ruas e a conviver com a realidade da crise (pois acho que para muitos políticos esta questão da crise ainda parece uma realidade muito distante). Podia ser até que ao conviver com esta realidade, abdicasse de metade (ou mais) do seu salário e o utilizasse em prol do seu povo. Podia ser...
sábado, 15 de outubro de 2011
PCP- Um partido do passado, presente e...futuro?
O Partido Comunista Português (PCP), é um partido político de esquerda cuja organização é baseada no centralismo democrático, característica dos partidos marxistas-leninistas.
Fundado em 1921, o PCP é um dos partidos mais antigos e com mais história e que, ainda hoje continua activo. Teve um papel fundamental na oposição ao regime ditatorial conduzido durante muitos anos por António de Oliveira Salazar. Naquela altura, o PCP, apesar de clandestino e ilegalizado, era o partido mais bem organizado e mais forte na oposição, o que fez com que os seus membros vivessem clandestinamente sob a ameaça de serem presos, torturados ou mesmo assassinados pela PIDE.
Após o fim da ditadura, em 1974, com a revolução dos cravos, o partido tornou-se numa principal força política do novo regime democrático, principalmente na classe dos trabalhadores, e continua popular em vastos sectores da sociedade Portuguesa, nomeadamente nas áreas rurais do Alentejo e Ribatejo e áreas industrializadas como Lisboa e Setúbal, onde lidera vários municípios.
Desde 1976 o Partido Comunista Português ganha todas as eleições autárquicas, legislativas, europeias ou presidenciais no concelho de Avis.
Avis é uma vila portuguesa no Distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo, É constituída por 8 freguesias. A questão que se coloca, é o porquê de tanta insistência e preferência da população deste concelho habitado na sua totalidade por 5007 habitantes, por este partido?
Nos anos quentes que se seguiram ao 25 de Abril, quando, no concelho se lutava por um pedaço de Terra para cultivar e lutar contra a fome, os comunistas foram os únicos que ficaram do lado dos trabalhadores instalando em Avis uma das mais importantes Unidades Cooperativas de Produção do país, A COOPERATIVA PRIMEIRO DE MAIO, que levou a cabo nesta região grandes plantações. Com a instalação desta cooperativa, praticamente não havia desemprego no concelho e foi graças a ela que surgiu o primeiro supermercado, e, por consequência mais postos de trabalho surgiram. Por arrastamento, surgiram também as primeiras creches, que acolhiam os filhos dos que trabalhavam na cooperativa. Trabalhadores esses que, no momento, constituem a maior parte da população e dos eleitores do concelho. Esta cooperativa já não existe, mas tudo o que ela arrastou consigo, todo o progresso que trouxe ao concelho, ficaram decerto marcados na memória da terra.
Mas, segundo os responsáveis comunistas, não é só no passado e nas memórias das gentes mais velhas da terra que se encontram as explicações para as vitórias eleitorais. O contacto com o povo e os eleitores é essencial, o facto de todas as reuniões, comícios e festas serem abertos ao público e para o público, a maneira como os comunistas realizam a campanha eleitoral constituem factos que jogam a favor da vitória do partido.
O partido comunista sempre levou avante os seus ideais e sempre teve um peso enorme no concelho de gente mais velha, mas será que os jovens, a nova geração de eleitores, se deixa “encantar” pelas memórias e histórias dos seus avós, os trabalhadores da já inexistente cooperativa?
Avis foi foi e é um concelho comunista. Mas o que será que o futuro traz a esta população? O que pensam os jovens sobre os ideais deste partido?
Fundado em 1921, o PCP é um dos partidos mais antigos e com mais história e que, ainda hoje continua activo. Teve um papel fundamental na oposição ao regime ditatorial conduzido durante muitos anos por António de Oliveira Salazar. Naquela altura, o PCP, apesar de clandestino e ilegalizado, era o partido mais bem organizado e mais forte na oposição, o que fez com que os seus membros vivessem clandestinamente sob a ameaça de serem presos, torturados ou mesmo assassinados pela PIDE.
Após o fim da ditadura, em 1974, com a revolução dos cravos, o partido tornou-se numa principal força política do novo regime democrático, principalmente na classe dos trabalhadores, e continua popular em vastos sectores da sociedade Portuguesa, nomeadamente nas áreas rurais do Alentejo e Ribatejo e áreas industrializadas como Lisboa e Setúbal, onde lidera vários municípios.
Desde 1976 o Partido Comunista Português ganha todas as eleições autárquicas, legislativas, europeias ou presidenciais no concelho de Avis.
Avis é uma vila portuguesa no Distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo, É constituída por 8 freguesias. A questão que se coloca, é o porquê de tanta insistência e preferência da população deste concelho habitado na sua totalidade por 5007 habitantes, por este partido?
Nos anos quentes que se seguiram ao 25 de Abril, quando, no concelho se lutava por um pedaço de Terra para cultivar e lutar contra a fome, os comunistas foram os únicos que ficaram do lado dos trabalhadores instalando em Avis uma das mais importantes Unidades Cooperativas de Produção do país, A COOPERATIVA PRIMEIRO DE MAIO, que levou a cabo nesta região grandes plantações. Com a instalação desta cooperativa, praticamente não havia desemprego no concelho e foi graças a ela que surgiu o primeiro supermercado, e, por consequência mais postos de trabalho surgiram. Por arrastamento, surgiram também as primeiras creches, que acolhiam os filhos dos que trabalhavam na cooperativa. Trabalhadores esses que, no momento, constituem a maior parte da população e dos eleitores do concelho. Esta cooperativa já não existe, mas tudo o que ela arrastou consigo, todo o progresso que trouxe ao concelho, ficaram decerto marcados na memória da terra.
Mas, segundo os responsáveis comunistas, não é só no passado e nas memórias das gentes mais velhas da terra que se encontram as explicações para as vitórias eleitorais. O contacto com o povo e os eleitores é essencial, o facto de todas as reuniões, comícios e festas serem abertos ao público e para o público, a maneira como os comunistas realizam a campanha eleitoral constituem factos que jogam a favor da vitória do partido.
O partido comunista sempre levou avante os seus ideais e sempre teve um peso enorme no concelho de gente mais velha, mas será que os jovens, a nova geração de eleitores, se deixa “encantar” pelas memórias e histórias dos seus avós, os trabalhadores da já inexistente cooperativa?
Avis foi foi e é um concelho comunista. Mas o que será que o futuro traz a esta população? O que pensam os jovens sobre os ideais deste partido?
Uma coisa é certa, o título já ninguém lho tira: Avis é sem dúvida, o concelho mais vermelho de Portugal.
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