domingo, 18 de março de 2012

Pseudo-reflexão sobre as taxas moderadoras



Recentemente, um familiar meu teve que se deslocar até às urgências de um hospital público. O motivo que o levou a deslocar-se até era mesmo urgente ( e não uma falsa urgência!) e depois de lá ter passado algum tempo pagou 27,55€ (20€ do episódio de urgência + 7,55€ referentes às análises que foram realizadas na mesma unidade hospitalar). A questão que me surgiu foi: 27,55€ por um cuidado de Saúde importante é muito ou é pouco dinheiro?

A Saúde é o bem mais precioso das nossas vidas e a sua inexistência determina o terminar das mesmas. É a Saúde que nos dá alguma qualidade de vida e a sua falta ou a sua presença em quantidades modestas provoca uma grande quebra na nossa qualidade de vida. Mas qual deve ser então o preço da Saúde? "Não tem preço" seria uma resposta unânime e imediata, mas proponho a reflexão sobre alguns aspetos.

Por um lado, enquanto nos poderemos queixar em pagar cerca de 30€ por uma consulta médica de urgência não temos tanta relutância em dar mais de 50€ por um bilhete para um concerto, em pagar 20€ ou 30€ por um bilhete para assistir a um jogo de futebol ou em desembolsar a mesma quantia numa refeição fora de casa para duas pessoas num restaurante de preços médios. Se não nos importamos de pagar valores elevados por coisas tão supérfluas como as anteriormente enumeradas, porque não pagar preços elevados pela Saúde que é um bem simplesmente imprescindível? Why not?
Será que a Saúde, por ser tão importante, deve ser a nossa despesa principal, assim como o é a habitação e a alimentação?

Ou, por outro lado, será que a Saúde, por ser algo tão básico e tão necessário deve ser algo universal pelos seus preços e ser o mais barato possível para ser acessível a todos os cidadãos?

O Serviço Nacional de Saúde apesar de ser alvo de muitas críticas (ideologicamente bem definidas, obviamente) é o garante do acesso universal à Saúde e apesar de ser caro (embora seja pago de forma maioritariamente indireta) permite que ninguém seja impedido de aceder aos serviços que disponibiliza e permite também que todos tenham direito a cuidados de Saúde dignos.

A questão é: será que a Saúde, por ser um dos bens mais importantes, deve ser aquele em que mais investimos ou, pelo contrário, deve ser o mais barato?

Eu não cheguei a conclusão nenhuma e foi esse o motivo que me levou a escrever esta reflexão, portanto, aguardo ansiosamente pelas vossas eventuais conclusões.

Um cidadão do mundo

Descobri a história de Nuno Lobito há pouco tempo; aparentemente um cidadão como os demais, na prática um homem que correu atrás de um grande sonho. Este fotógrafo de 45 anos concretizou no passado dia 11-11-2011 o seu sonho de criança de "visitar todos os países do mundo". Budista de religião, o viajante português visitou os 204 países do mundo, 11 dos quais "ditos independentes". (É curioso como o número de países do mundo é uma questão tão simples, mas que gera tanta controvérsia).
Durante 29 anos, Nuno arrecadou histórias, vivências e fotografias numa invejável bagagem, a sua experiência de vida. O seu trabalho propiciou muitas destas viajens, mas o acontecimento que o fotógrafo considera como o ponto de viragem desta odisseia foi a sua estadia em Madagáscar. Neste país, o fotógrafo é atingido por malária, doença que o fez permanecer no país por dois anos. Aquando dessa estadia, as febres altas e alucinações típicas deste tipo de parasitose provocaram-lhe uma visão especial… Nuno viu que na sua futura viagem à Amazónia iria conhecer uma mulher por quem se apaixonaria. Amante da vida e crente no futuro e nas imprevisibilidades da existência, a perseguição desta visão foi levada muito a sério por este homem, que anos mais tarde voava para o pulmão do mundo… A concretização da sua visão facilmente poderia resultar numa história digna de qualquer filme, mas foi mais do que isso, faz agora parte da sua realidade!
Nuno chegou à Amazónia e foi acolhido por uma tribo indígena; durante a sua estadia, foi conquistado pela beleza e misticismo de uma índia, Carol. Este “percalço” fez com que interrompesse a sua viagem, permanecendo na floresta sul-americana durante 5 anos.
Regressado temporariamente a Portugal e acompanhado da mulher com quem havia casado na Amazónia, Nuno Lobito, alvo das forças da natureza que o premiavam com tantos momentos felizes, decidia que “acabar o mundo” seria uma meta a alcançar exactamente no dia 11 de Novembro de 2011. A escolha desta data deve-se à existência de uma energia cósmica especial neste número, segundo a crença budista.
Percorridos todos os cantos do mundo, conhecendo diferentes culturas e hábitos do ser humano em geral e algumas histórias de vida em particular, Nuno deixa a Islândia para o final desta grande viagem. No regresso a Portugal, o sentimento de concretização pessoal é experienciado por um homem que certamente será mais feliz, mais humano, que estará mais perto do mundo.
Esta é uma experiência que não passando de um sonho para uns, é um projecto de vida para outros; outros que serão mais homens, numa perspectiva globalizante. Homens que não conhecendo tudo o que o mundo nos oferece, conhecem um pouco da realidade de cada país. Arrisco dizer que estes homens saberão bem a inutilidade do racismo e das suas manifestações, pois nós somos apenas um ínfimo bago de areia num deserto tão rico em diversidade e multiplicidade de culturas e pessoas. Somos apenas um povo entre tantos povos e não termos essa consciência é sermos ainda mais pequenos. Conhecer este mundo é certamente ter a consciência de que não há políticos nem políticas ideiais, não há modelos económicos que satisfaçam todas as classes sociais e que não há nações, raças ou religiões superiores a outras.
Este é certamente um cidadão do mundo, que terá uma noção de cultura e de civilização bem mais ampla dos que têm poder económico para fazer turismo em destinos de luxo, mas que nunca conhecerão a realidade dos povos que vivem por detrás dos resorts... (e consentemente serão mais ignorantes acerca da sua!)

sábado, 17 de março de 2012




Francisco Sá Carneiro - O Homem da Democracia
Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro nasceu a 19 de Julho de 1934, no Porto. Filho do advogado José Gualberto Chaves Marques de Sá Carneiro com Maria Francisca Judite Pinto da Costa Leite, e neto do 2º conde de Lumbrales,nasce no seio de uma família de posses da classe alta. Formado em advocacia na faculdade de direito da Universidade de Lisboa.
Foi eleito pelas listas da União Nacional, partido único do regime de António de Oliveira Salazar, para a Assembleia Nacional, passando a ser líder da Ala Liberal, onde desenvolveu diversas iniciativas para a gradual transformação da ditadura numa democracia típica da Europa Ocidental e não apenas uma aparência democrática como o regime salazarista se votava. Colaborou com Mota Amaral na elaboração de um projecto de revisão constitucional, apresentado em 1970, que acabou por não ter efeito.
Francisco de Sá Carneiro apoiava o republicanismo e a laicidade como as verdadeiras formas de organização estrutural do Estado Português, segundo a célebre entrevista de 1973 feita por Jaime Gama no Jornal República:
" Os conceitos de catolicismo progressista e de democracia cristã são bastante equívocos para mim – e não aceito enquadrar-me em qualquer deles. Entendo que os partidos políticos – que considero absolutamente indispensáveis a uma vida política sã e normal– não carecem de ser confessionais, nem devem sê-lo. Daí que não me mostre nada favorável, nem inclinado, a filiar-me numa democracia cristã. É evidente que a palavra pode não implicar nenhum conceito confessional e nesse sentido apresentar-se apenas como um partido que adopte os valores cristãos. Simplesmente, em política, parece-me que os valores não têm que ter nenhum sentido confessional e, portanto, se amanhã me pudesse enquadrar em qualquer partido, estou convencido de que, dentro dos quadros da Europa Ocidental, comummente aceites, iria mais para um, partido social-democrata."
Foi no escritório da Maçonaria, conhecida como "A Toca", que nasce o Partido Popular Democrático (PSD), em meios republicanos do Porto de resistência ao Estado Novo, em conversação com outros colegas e amigos, tais como: Miguel Veiga, Artur Santos Silva e Mário Montalvão Machado.
Francisco Sá Carneiro durante vários anos combateu a ordem estabelecida após a Revolução dos Cravos (25 de Abril de 1974) visto que queria o Governo e o Parlamento, e não o Conselho da Revolução e a Assembleia do Movimento das Forças Armadas, como órgãos de soberania.
Em 1979, vence as legislativas, com maioria absoluta, em coligação com o CDS de Diogo Freitas do Amaral e o PPM de Gonçalo Ribeiro Telles, chamada de, Aliança Democrática. Tendo, Sá Carneiro, um vasto apoio popular e político, foi chamado pelo Presidente da República, Ramalho Eanes para liderar o novo executivo, tendo sido nomeado Primeiro-Ministro a 3 de Janeiro
de 1980.
No entanto, o seu governo foi de curta duração, pois Francisco Sá Carneiro faleceu a 4 de Dezembro de 1980, em circunstâncias trágicas e nunca completamente esclarecidas. O avião onde se dirigia para o Porto, para um comício onde iria apoiar um candidato presidencial da coligação, o General António Soares Carneiro, se despenhou em Camarate, falecendo todos os passageiros: Francisco Sá Carneiro; Snu Abecassis, sua companheira; o ministro da defesa, Adelino Amaro Costa e sua mulher; para além dos assessores piloto e co-piloto. Trinta anos depois, continua sem se saber se o despiste foi acidental ou não, e se não, se o alvo seria Sá Carneiro ou Adelino Amaro Costa.
O aeroporto internacional do Porto, para onde se dirigia aquando da sua morte, foi mais tarde baptizado com o seu nome.

"A Democracia é difícil e exigente, mas dela não nos demitimos"


Outros suportes:
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http://www.youtube.com/watch?v=r8a_86juKS4 – Discurso de Sá Carneiro
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http://www.youtube.com/watch?v=bysPResFr_o&feature=related – Discurso de Sá Carneiro
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http://www.youtube.com/watch?v=tOZNihUvuOw&feature=related – PPD
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http://www.youtube.com/watch?v=vLf3Fb9LmKE&feature=related – documentário sobre Francisco Sá Carneiro
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http://www.youtube.com/watch?v=u99uJZ9zGT4&feature=related– Notícia da morte de Sá Carneiro

sexta-feira, 16 de março de 2012

Desenhos Animados para combater a crise!

Andava eu a procurar um tema para escrever para o blog, quando me deparo com uma notícia bem interessante:


“Portugueses exportam desenhos animados de 7,5 milhões”

Dois portugueses preparam-se para lançar uma série de animação infantil avaliada em 7,5 milhões de euros. Em 2010, Rui Miranda e Rodrigo Carvalho decidiram ignorar as notícias da crise e criaram a empresa Nutri Ventures, que emprega 70 pessoas.
Rodrigo Carvalho formou-se em engenharia aeroespacial e Rui Miranda em gestão, mas hoje apresentam-se como "contadores de histórias" e estão à frente do maior projeto de animação feito em Portugal.
Quando, há dois anos, a série começou a ganhar forma, a dupla de jovens tinha um objetivo: montar uma empresa na área de entretenimento que contasse histórias sobre alimentação saudável a crianças dos quatro cantos do mundo.
"Criar uma marca internacional desde raiz era o objetivo", recorda Rui Miranda, 39 anos.
Fonte: Diário de Notícias

Interessante, não? Fiquei a pensar que, de facto, para vencer a crise é preciso ter imaginação. Imaginação e ambição. No caso destes dois empreendedores, foram em busca de um sonho comum: “montar uma empresa na área de entretenimento que contasse histórias sobre alimentação saudável a crianças dos quatro cantos do mundo.” Os autores tiveram o apoio de uma entidade denominada por Red Star, que financiou o projecto. Fiquei curioso com este projecto e depois de uma pequisa rápida conclui algo caricato e que ao mesmo tempo me deixa orgulhoso. Deve ser das primeiras vezes em que uma produção audiovisual portuguesa vai ser dobrada em Inglês.
Quanto ao assunto da série infantil, é muito actual e importante: Hábitos de alimentação e de vida saudável. As personagens chamam-se: Lena, Teo, Nina e Ben. Lena é o cérebro do grupo; Teo o líder; Nina a irmã de teo; Ben é um bom companheiro, mas comilão. Mas como qualquer série animada, conta também com um vilão. Neste caso chama-se Alex Grand. E como é de esperar, a “profissão” deste só podia ser… controlar um monopólio de uma espécie de suplemento e roubar alimentos.
Algo importante para a série são também os dois parceiros: a Organização Mundial de Saúde e a iniciativa de Michelle Obama, Let´s Move.
Para finalizar, penso que esta é, sem dúvida, uma notícia muito positiva. Como português fiquei orgulhoso por saber que esta será uma série internacional e que será visionada em muito países da Europa, no México, no EUA, no Brasil, etc. Aqui está um bela forma de tentar vencer a crise, de espalhar o nome de Portugal e de criar postos de trabalho, dado que, este projecto já emprega 70 pessoas. Era bom que continuasse este tipo de iniciativas.

Outras Fontes:

quinta-feira, 15 de março de 2012

Palavra de um campónio

Campo ou cidade, sossego ou desassossego, ar puro ou poluição, liberdade ou muitas vezes prisão… Bom como um bom cidadão rural é óbvio que prefiro o campo à cidade, o sossego ao desassossego, o ar puro à poluição e a liberdade à falta da mesma. Admito que há coisas na cidade que o campo não tem, mas sinto-me à vontade para dizer que não trocaria por nada a vida do campo à vida na cidade, no campo cresci e dele aprendi a gostar.
Mas não é das minhas preferências que eu venho aqui falar, mas sim da tristeza ao ver que o meio rural está cada vez mais dependente do meio urbano, e falo como habitante de uma pacata aldeia do distrito de Évora de nome Nossa Senhora Da Boa-Fé. É visível de dia para dia o contributo das câmaras municipais para a desertificação tanto na minha aldeia como noutras aldeias pertencentes ao distrito de Évora. A maioria da população nestas aldeias é de idade superior a 40 anos e a falta de atractivos para a população jovem é preocupante, e digo isto com alguma mágoa pois sou jovem e gostaria que tal não acontecesse. São feitos projectos e mais projectos, prometem-se melhorias, fazem-se planos, mas a realidade é que nada se cumpre, talvez por falta de dinheiro mas certamente por falta de interesse e vontade, e fico com a sensação que esta falta de interesse e de vontade deve-se muitas vezes a divergências partidárias entre as freguesias e as câmaras. São visíveis as diferenças entre os avanços (nunca muito significativos é claro) entre uma freguesia da mesma cor partidária do município e uma aldeia que não dispõe das mesmas ideologias.
O meio rural sempre esteve dependente do meio urbano e é inevitável que isso aconteça, mas esta dependência deve ter limites, pois as pessoas do campo não são em nada inferiores às pessoas da cidade, não se deve desvalorizar o meio rural pois tal como o meio rural está dependente do meio urbano, o meio urbano também está dependente do meio rural e deve haver uma relação de simbiose entre ambos.
Por fim, e numa altura em que vejo que o meu futuro passará inevitavelmente por uma vida ligada ao meio urbano, espero como orgulhoso habitante desta aldeia vir um dia contribuir para o seu desenvolvimento e para a melhoria da qualidade de vida de todos os seus habitantes, e seria com muito prazer que gostaria de ver um maior apoio por parte dos municípios em relação ao meio rural.

Os cravos deram mais força à liberdade


Foi esta quarta-feira, dia 14 de Março, que Otelo Saraiva de Carvalho afirmou que estava nas mãos das Forças Armadas derrubar um governo que havia entrado num profundo sistema ditatorial e que provocava um enorme sofrimento ao país, acrescentando a pouca eficácia que a manifestação, agendada pelos militares, terá este sábado, dia 17 de Março.
Salienta que apesar de estarmos numa democracia, e o governo que está à frente ter sido eleito pelo povo, questiona as condições das eleições e ainda sublinha que se houver outras eleições ninguém ficará satisfeito.
Sobre o Governo, especificou que Portugal «tem um primeiro-ministro que é um tipo giro, mas por trás dele também estão empresas», entendendo que «ele está apenas a executar aquilo que lhe dizem, subordinado aos ditames da troika».
Por isso, para este “capitão de Abril” a atuação das forças Armadas teria o propósito de derrubar o governo que está em funções.
No entanto, Otelo Saraiva de Carvalho reconhece que «Portugal é um país de brandos costumes», considerando que ainda não estão reunidas as condições necessárias para outra revolução, mas que as massas trabalhadoras poderiam ser a porta revolucionária, com o descontentamento face a nova lei geral do trabalho.
No seu entendimento, quando há perda de soberania e perda de independência nacional, as Forças Armadas têm de atuar
Otelo Saraiva de Carvalho , “Capitão de Abril” conclui que «no dia em que os limites forem ultrapassados, o povo é que o saberá sentir».
Ainda veremos cravos nos canos dos canhões e das espingardas, com E Depois do Adeus de Paulo de Carvalho como música anunciadora de movimento?

quarta-feira, 14 de março de 2012

Biografia de Pablo Neruda

Pablo Neruda nasceu a 12 de Julho de 1904 no Parral. Foi um importante poeta chileno e espanhol. Este era filho de José del Carmen Reyes Morales, e de Rosa Basoalto Opazo que foi morta quando Neruda tinha apenas um mês de vida.
Foi na sua adolescência que adoptou o pseudónimo de Pablo Neruda inspirando-se num homem que também era escritor, de seu nome Jan Neruda.
Em 1906 o seu pai mudou-se para Temuco, onde se casou com Trinidad Candia Marverde de quem Neruda fala em muitos dos seus textos, com o nome de Mamadre.
Estudou no Liceu de Homens dessa mesma cidade e foi ai que publicou os seus primeiros poemas no jornal regional A Manhã. Em 1919 obteve o terceiro lugar nos Jogos Florais de Maule com o poema “Noturno Ideal”.
Em 1921 foi para Santiago e estudou pedagogia na Universidade do Chile.
Em 1923 publica “Crespusculário”, que é reconhecido por grandes escritores da altura. No ano seguinte saem na Editorial Nascimento dois dos seus poemas “Vinte poemas de amor” e uma “canção desesperada”.
Em 1927 começa sua carreira diplomática quando é nomeado cônsul em Rangum, na Birmânia. Em 1935, Manuel Altolaguirre entrega a Neruda a direcção da revista Cavalo verde para a poesia na qual é companheiro dos poetas da geração de 1927.
Em 1936, rebenta a Guerra Civil espanhola. Neruda é destituído do cargo consular e escreve “Espanha no coração”. Em 1945 é eleito senador. No mesmo ano, lê para mais de 100 mil pessoas no Estádio do Pacaembu em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes. Em 1950 publica “Canto Geral”, e nessa sua poesia vais falar de questões sociais, de ética, e de política. Em 1952 publica “Os Versos do Capitão”(poema dedicado á sua amante Matilde) e em 1954 “As uvas e o vento” e “Odes Elementares”.
Em 1953 constrói a sua casa em Santiago, “La Chascona”, para se encontrar clandestinamente com sua amante Matilde. A casa foi uma de suas três casas no Chile. "La Chascona" é um museu com objectos de Neruda. Nesse mesmo ano, recebeu o Prémio Lênin da Paz.
Em 1958 escreve “Estravagario”, mudando assim um pouco a sua poesia. Em 1965 foi-lhe concedido o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford. Em Outubro de 1971 recebeu o Nobel de Literatura. Depois do prémio, Neruda é convidado por Salvador Allende para ler para mais de 70 mil pessoas no Estádio Nacional de Chile.
Morreu em Santiago a 23 de Setembro de 1973, com cancro na próstata.
Em 1974 sai o livro “ Confesso que vivi”, neste são retratadas as suas memórias.
Em 1994 um filme chamado Il Postino (O Carteiro de Pablo Neruda) conta sua história na Isla Negra, no Chile, com a sua terceira mulher Matilde. Este filme passa-se numa ilha de Itália para onde Neruda foi exilado. Este torna-se amigo de um carteiro que lhe pede para ensinar a escrever versos (para poder conquistar a sua amada).
Nestes anos 70, durante as eleições presidenciais do Chile, Neruda desistiu da sua candidatura para que Allende vencesse, pois ambos eram marxistas, partilhavam dos mesmos ideais e acreditavam numa América Latina mais justa o que, a seu ver, poderia ocorrer com o socialismo. De acordo com Isabel Allende, Neruda morreu de "tristeza" em Setembro de 1973, ao ver acabado o governo de Allende.
Decidi fazer uma pequena biografia de Pablo Neruda pois após ter visto o filme que retracta um pouco da sua vida fiquei com curiosidade de saber mais. Um grande poeta, não só de amor, e também um grande politico e um grande homem com os seus ideais bem definidos, lutando até ao fim por aquilo em que acreditava.

"MEMÓRIAS DE SALAZAR" Ditador vira marca de vinho


"Salazar vai ser marca registada para potenciar a economia do concelho que viu nascer o antigo Presidente do Conselho, Santa Comba Dão, e um dos primeiros produtos com esse cunho será o vinho "Memórias de Salazar".

António de Oliveira Salazar nasceu no Vimieiro, a 28 de abril de 1889, onde está também sepultado, mas a ideia de recorrer à "marca Salazar" para o desenvolvimento do concelho, como explicou à agência
"A nossa é sempre uma perspetiva objetiva e histórica, porque os juízos de valor não têm de ser feitos pela autarquia, têm de ser as pessoas, os historiadores, os investigadores [a fazê-los]. Nós temos apenas de demonstrar a nossa convicção de que o que estamos a fazer é útil para o concelho e para a região. E se temos um vinho `Memórias de Salazar" é porque sentimos que as pessoas procuram essa ligação quando nos visitam", disse o autarca.
O objetivo da autarquia -- que criou já a Associação de Desenvolvimento Local (ADL) de Santa Comba Dão - é "ligar um nome conhecido em todo o mundo aos produtos da terra", como é o caso do vinho, criar condições para historiadores e investigadores poderem estudar o Estado Novo e fornecer aos visitantes um espaço que lhes permita contactar com o passado de Oliveira Salazar na sua terra".
A ideia é dar agora um "novo fôlego" ao projeto, criar uma "marca Salazar" e, através da ADL, "procurar investidores que permitam o desenvolvimento integral da ideia, que passa pela recuperação da área urbana do Vimieiro ligada ao património que pertenceu a Salazar e espaço envolvente".
Toda a parte de recuperação patrimonial pode custar, segundo o autarca, dez milhões de euros, dinheiro esse que terá de vir da iniciativa privada, "mas também de entidades públicas" que tenham como missão o desenvolvimento local, sendo que este "é um dos 'projetos âncora' para o desenvolvimento da região Dão-Lafões"."

Fonte: Diário de Notícias

Fiquei impressionado com esta noticia que encontrei no DN online. Numa época de dificuldades e em que todos os portugueses se queixam da difícil vida que todos somos obrigados a viver, a autarquia de Santa Comba Dão viu na história uma oportunidade para o desenvolvimento do concelho e da região Dão-Lafões. Não se pode dizer que seja uma má ideia, muito pelo contrário...mas será que vai ter o efeito contrário ao esperado? Será que alguém terá orgulho em dizer que tem um "Memórias de Salazar" na garrafeira? Não importa se terá o número de vendas desejadas ou se alguém terá um orgulho particular em dizer que tem um garrafa destas na garrafeira. O que realmente importa é que no meio de tanto pessimismo ainda exista vontade por parte de instituições publicas como a autarquia de Santa Comba Dão ou mesmo de instituições privadas em promover o desenvolvimento económico aproveitando as potencialidades da região.

Parlamento dos Jovens 2012 - Adicionamos-te a este debate

O Parlamento dos Jovens é organizado pela Assembleia da República, em colaboração com outras entidades, com o objetivo de promover a educação para a cidadania e o interesse dos jovens pelo debate de temas da atualidade.

Foi no dia 28 de fevereiro, no Anfiteatro Direcção Regional da Educação do Alentejo que se deu a 2ºfase – Sessão Regional – do Parlamento dos Jovens.
Sete escolas do distrito adicionaram-se a este debate com o intuito de expôr, defender e promover as suas ideias, atacando e contra-argumentando as medidas opostas.
Pelas 10h30, a sessão inicia-se. Na mesa está presente a Senhora Vereadora da Educação e Cultura, Drª Cláudia Sousa Pereira; o vice-presidente, Fábio Mileu; o Presidente, Pedro Pisco; o Secretário, João Siquenique; a Senhora Deputada, Drª Rita Rato; e, finalmente, a Senhora Diretora Regional do Alentejo da Direção Regional da Educação, Drª Maria Reina Martins.
Depois de procedida a chamada de todas as escolas presentes – Escola Cunha Rivara, Epral de Estremoz, Epral de Évora, Escola de Montemor-o-Novo, Escola Secundária de Severim de Faria (representada pelos deputados: Ana Garcia, Inês Rosa, Manuel Cotovio, Bruno Alves e Beatriz Candeias), Escola Públia Hortência de Castro, Escola Gabriel Pereira – foram reservadas algumas palavras de apreço para os alunos ali presentes e até professores.
A Drª Rita Rato começa por avaliar que o tema, “não é um tema fácil(...) não é uma discussão que foi feita de forma profunda na Assembleia da República”. Defende que as redes sociais têm “um papel determinante, e uma função complementar”, no entanto salvaguarda que esta aderência às redes sociais nao substitui à ação de cada indivíduo.
“Participar de forma consciente, ativa demonstra como a juventude se preocupa nos cumprimentos dos seus deveres”, foram algumas das palavras da Drª Cláudia Sousa Pereira que sublinhou a importância de dinamizar, agradecendo o empenho dos deputados. “Com estas atividades o país desenvolve-se.”
A Drª Maria Reina Martins, afirma que iniciativas como estas são um contributo para a sociedade, “Estão aqui para ajudar os jovens, para que assim os cidadãos que não participam tanto possam usufruir do vosso trabalho.”
Posteriormente, é dado uma hora para colocar algumas perguntas à Drª Rita Rato, sendo dado oito minutos a cada escola. A escola Secundária de Severim de Faria é a primeira a pedir a palavra, colocando a seguinte questão: “Em que medida as redes sociais podem influenciar positivamente as decisões do parlamento?”
A Senhora deputada, primeiramente, afirma que a Assembleia da República integra partidos com opiniões deferenciadas.
Para mostrar duas situações comuns, questiona, “Que efeito tem as propostas feitas no Parlamento dos Jovens?”, repondendo prontamente, “Apresentar iniciativas legislativas sobre isso.” Logo conclui que tudo o que são contributos para uma maior fiscalização de maior transparência do papel dos deputados, e do funcionamento da Assembleia, zela pela saúde do regime democrático.
As intervenções das outras escolas vão de encontro ao tema, à exceção da Epral de Estremoz que se debruça na questão do emprego jovem, e que medidas poderiam ser tomadas na ótica do partido.
As 11h e 40 inicia-se à apresentação dos projetos, e é dado aos representantes de cada escola oito minutos. Da Escola Secundária de Severim de Faria vão dois representantes – Ana Garcia e Bruno Alves – que apresentam as três medidas:

1. 1. Criação de uma rede social gerida pelo Estado, na qual cada cidadão possa participar na atividade governativa e aceder de uma forma mais direta às várias questões de interesse nacional e/ou local;


2. Implementação de um programa de inclusão social direcionado para a participação nas várias redes sociais. Cada junta de freguesia disponibilizará o espaço, os equipamentos e as condições para se realizarem ações formativas dirigidas a todas as faixas etárias.

3. 3. Desenvolvimento de uma rede nacional virtual de voluntariado, em que se permita estabelecer a comunicação entre todas as IPSS e as pessoas disponíveis para esta forma de participação cívica.

Na apresentação dos projetos de recomendação a única anomalia observada foi na Escola Públia Hortência de Castro que noticiou, sem aviso prévio, que iria haver a alteração das últimas duas medidas.
Passado vinte minutos inicia-se o debate, onde os deputados de cada escola iriam comentar e esclarecer.
Foram visíveis alguns conflitos entre a Escola de Montemor-o-Novo com a Escola Gabriel Pereira. A 3º medida desta última escola foi alvo de críticas, chegando a ser denominada como “ridícula”.
Posteriormente é a Escola secundária de Severim de Faria que interpela a Escola Cunha Rivara. É o deputado Manuel Cotovio que vai apontar os efeitos inerentes às medidas propostas.
Quanto à primeira medida questiona-se quem garantia a segurança, que de certa forma, se encontraria subjugada à liberdade de utilização de cada utilizador.
A sobrecarga horária no 3º ciclo, e a formação de professores é mais uma crítica apontada, desta vez à 2º medida.
Na 3º medida e em jeito de ironia, o deputado Manuel Cotovio afirma, “Nós temos o moodle. Não sei se na vossa escola tambem existe”, o que prontamente é classificado como “golpe baixo” pela deputada da Escola Cunha Rivara.
A Epral de Évora é aquela que mais interpela a Escola Secundária de Severim de Faria, determinando como desvantajoso a criação de uma rede social que se iria sobrepôr à participação de cada indivíduo. No entanto, a escola interpelada nao baixou as guardas e sublinhou o caráter opcional da medida, afirmando que “o facebook não chega”, pois todas as medidas defendidas pela Epral pólo de Évora zelavam pelo facebook e a sua utilidade. Assim, em jeito de resposta os deputados da Severim de Faria também direcionavam uma provocação.
Entre medidas de apoio psicológico, de controlo e vigilância dos utilizadores, ou o facebook como solução... nenhum deputado inibiu o seu poder de argumentação. Era ali obrigatório defender e criticar, sem arranjar inimigos num debate que se dava por terminado pelas 13h 15.
Procede-se à votação dos projetos de recomendação.
Há um empate entre a Epral de Estremoz e a Escola Secundária de Severim de Faria por 20 votos, levando a melhor a Epral de Estremoz.
Às 15h a sessão é reaberta, e dá-se lugar à leitura das medidas ganhas. Posteriormente chega-se ao momento do editamento/ correção da redação, isto é, há uma divisão de dois grupos – o Grupo A constituído pela Escola de Montemor-o-Novo, Cunha Rivara, Epral de Évora e Gabriel Pereira (24 elementos); e o Grupo B formado pela Escola Secundária de Severim de Faria, Públia Hortência de Castro e Epral de Estremoz (18 elementos). Eram admitidas três propostas, duas de editamento e uma de eliminação.
Não há medidas de eliminação, no entanto todo o projeto da Epral de Estremoz é modificado.
Os deputados do Círculo de Évora apresentam as seguintes recomendações:
1. As Redes Sociais movimentam a democracia e podem ser o veículo de aproximação

dos jovens à causa pública. Desta forma propomos a criação do perfil de Rede Social
oficial do Parlamento Português com informação isenta de cada ideologia politica e
de uma plataforma anexa, onde os representantes políticos podem fazer um resumo
periódico dos trabalhos parlamentares.

2. O desenvolvimento de uma rede nacional de Voluntariado que promova ações regulares

de sensibilização comunitária onde várias instituições locais levem os cidadãos a integrarem as pessoas mais vulneráveis.

3. Criação de aplicação nas redes sociais para a eleição de uma medida mensal a ser debatida no parlamento português.

Eleição via validação na rede social com os resultados apresentados na mesma plataforma.

4. Sendo as redes sociais cada vez mais um fórum em que a inclusão digital é um fenómeno crescente, propomos a implementação de ações de sensibilização no plano curricular de várias disciplinas, como formação cívica área de estudo acompanhado e apoio ao estudo. No caso de não existirem estas disciplinas é feita uma sensibilização por parte de todos os professores.


Posteriormente à exposição do novo projeto, cada candidato colocou dois nomes de escolas no boletim de voto, que achassem credíveis e com potencial para representar aquele círculo.
Depois de muita tensão a escola vencedora havia sido a Escola Públia Hortência de Castro, que tinha conquistado o carinho e o respeito das outras escolas... talvez com o velho cliché de agradar a gregos e a troianos ou só pelo facto de ser um grupo dotado de elementos genuínos.
Há um empate entre a Escola de Montemor-o-Novo e Escola Secundária de Severim de Faria. Depois de uma nova votação é a Severim de Faria que se junta a Vila Viçosa na fase nacional.
É apresentado o tema do próximo ano – Igualdade de oportunidades, eleito por 12 votos.
No final, é a deputada Ana Garcia que agradece e zela por uma boa representação, com a promessa de uma porta-voz determinada, confiante e que leva os interesses de um corpo distrital, ao nacional.
“Agradeço a todos vós o excelente contributo que aqui trouxeram”, foram as últimas palavras do Presidente da mesa.
Encerra a sessão

terça-feira, 13 de março de 2012

Portugal precisa de novo resgate este ano

"Um jornal alemão escreve este sábado (passado) que Portugal precisará de um segundo resgate internacional ainda este ano. O «Die Welt» garante que o nosso país sucederá à Grécia nas preocupações com a crise das dívidas soberanas na Europa, citando fontes não identificadas do governo de Berlim.

A restruturação da dívida grega, após o acordo alcançado com os credores privados, dá algum tempo à zona euro para respirar, mas no Outono o risco de bancarrota de países da moeda única em dificuldades financeiras, como a Grécia e Portugal, voltará a agudizar-se, prevê o diário conservador.

Sobretudo se não houver progressos na Grécia, os parceiros europeus poderão «fechar a torneira» a Atenas, o risco de bancarrota regressará, e a crise pode alastrar a outros países do sul da Europa, segundo o «Die Welt».
«O país que suscita mais preocupações é Portugal, e em círculos do governo alemão não se exclui que Lisboa precise de mais dinheiro da União Europeia, ainda no segundo semestre deste ano», diz o matutino germânico.

«Os Estados não conseguirão pagar as suas dívidas se não lograrem ter crescimento económico, e até agora não há sinais de retoma nenhuma nos países em crise», disse o professor de economia da Universidade de Oxford, Clemens Fuest, citado pelo Die Welt.

Para o mesmo especialista alemão, é tudo uma questão de confiança, e no segundo semestre de 2012 a situação dos países em crise não melhorar, os receios dos investidores de perderem o dinheiro investido em Portugal, se também houver uma reestruturação da dívida portuguesa.Fuest não exclui mesmo a hipótese de a crise se agravar, em vez de melhorar.

Isto porque, explicou o economista germânico, o Banco Central Europeu inundou a zona euro com injeções de capital, os bancos compraram ainda mais títulos da dívida pública de países do sul da Europa, o risco que correm aumentou e, provavelmente, também o nervosismo aumentará, se houver sinais de um agravamento da situação, advertiu Fuest."

Fonte: Agência Financeira

Ora esta noticia já não constitui nenhuma surpresa para quem a lê. É óbvio que numa economia que sempre foi das que menos produziu e que menos competitividade apresenta, o programa da troika pouco faz senão a suposta "reestruturação" da divida. Esta reestruturação não cria postos de emprego, facilidades na criação de empresas ou qualquer outra coisa que promova o crescimento económico. Ao invés retira ao país a sua capacidade de criar riqueza, criando unicamente capital imediato com a venda de empresas de forma a se pagar da forma mais rápida a vida que a alemanha tanto quer ver paga. Estas medidas criam assim um ciclo vicioso onde se pede 20 para pagar 15 e só se se consegue arranjar 5. Será o futuro de Portugal igual ao do gregos? Chegaremos a uma banca rota? Só o tempo o dirá, mas a cada dia que passa a imagem negra de um país à beira da total depressão parece ser o mais certo...

Conceito de parentalidade, será realmente aquilo que fazemos dele?

A palavra “família” não é fixa, é polivalente; vai mudando constantemente ao longo das gerações variando de indivíduo para indivíduo estando sempre sujeitas a futuras alterações e evoluções de acordo com a época em que vivemos.
As famílias de há cinquenta anos atrás eram bastante diferentes das actuais. Ao pai sempre lhe foi atribuído um papel de “chefe de família” onde era este que tomava sempre a decisão final, era um símbolo de poder e autoritarismo. Era este que tinha o dever sustentar a família, trabalhando, enquantoque a mulher, submissa às suas decisões, ficava encarregue de outras tarefas. A função da mãe era de educadora dos filhos, esta tinha como objectivo evitar o abandono e a morte das crianças, cuidando das mesmas. Tinha acima de tudo uma função reprodutora e era o centro de gravidade da família dada a ausência da figura paternal.
As famílias eram, por norma, numerosas onde o filho mais velho era sempre privilegiado. O primogénito sempre foi o “eleito”- até nos dias que correm, em países monárquicos, o primeiro filho dos reis é o que será coroado como futuro rei.
As filhas tinham uma relação de “simbiose” com a mãe; esta ensinava-as a realizarem todo o tipo de actividades (cozinhar, limpar, coser, etc.) pois era esse o seu futuro também. A filha ou as filhas mais velhas faziam também o papel de mãe dos irmãos mais novos, cuidavam destes desde muito cedo, ajudando a mãe, estando a seu cargo imensa responsabilidade.
As famílias eram quase todas muito numerosas dada a escassez de informação e de contraceptivos disponíveis. As mulheres estavam constantemente grávidas, acabando por servir como contracepção natural. Cabia ao pai, figura de poder, reduzir/limitar o número de nascimentos.
Com o passar dos anos, foram surgindo então as famílias contemporâneas onde houve grandes revoluções na educação e costumes. Primeiramente, as mulheres começam a trabalhar fora de casa tal como os homens. As mulheres começam a ter menos tempo para ser mães a tempo inteiro e apostam na sua formação profissional e na sua autonomia, tal como os homens. Há então uma grande quebra de nascimentos. O novo baby boom deste século depara-se com a procriação assistida onde, surgem novos métodos de engravidar; mulheres inférteis podem agora ter filhos (e normalmente esses tratamentos estimulam a geração de mais do que uma só criança). Há também um número bastante inferior de mortes no parto, o que faz fomentar a natalidade. Há então alguns prós e contras q tanto beneficiam a natalidade como a prejudicam.
A mãe e o pai começam então a ter tarefas duplas. A mãe tem de conciliar as suas actividades, com o papel de mãe e o emprego. Tudo isto contribui para que o pai comece a estar mais presente na vida dos seus filhos, as tarefas são, então, mais distribuídas e não catalogadas como sendo só para a mãe ou só para o pai.
O divórcio também é um tema que deixa de ser tabu para ser visto como uma realidade frequente em muitos conjugues. Este acontecimento é mais um contributo para se dar uma aproximação no papel dos pais. Consequentemente, vai haver um crescimento das famílias monoparentais .
A questão da pluriparentalidade, que sempre existiu de diversas formas (tios, avós, amas, vizinhos, irmão mais velho, etc.) vai-se acentuar neste período devido à ocupação e falta de tempo dos pais.
Neste baby boom surge também o “fantasma da criança perfeita” onde o excessivo planeamento e ideais colocados na futura criança vão ser prejudiciais para a natalidade pois o número de nascimentos vai reduzir dado todos os tópicos necessários para se iniciar uma gravidez. A ecografia, a amniocentese, bem como a correcção de anomalias genéticas contribui para q os pais possam controlar tudo o q poderem acerca do q o futuro bebé se tornará.
A parentalidade nada tem a ver com um elo biológico. Não tem de ser necessariamente uma relação entre os pais e os filhos, mas sim a relação de um casal com a criança. As figuras parentais de uma criança são aquelas a que esta tem mais afecto, carinho, respeito e confiança; são aquelas pessoas que cuidam, educam e envolvem a criança num clima de amor e compreensão. É um conceito que nos permite construir laços sociais . Existem crianças que vivem com os seus pais biológicos mas não existe uma parentalidade entre eles. A comunicação entre estes pode simplesmente não existir, esse clima não proporciona uma relação de parentalidade entre os pais e os próprios filhos.
Muitas pessoas confundem conjugalidade, que é a relação entre os conjugues (casal) com parentalidade, que, como já vimos, nada tem de semelhante. A conjugalidade é para sempre pois, independentemente do que suceder à relação pais vs filho, estes irão ser sempre pais biológicos da criança. A figura parental masculina e/ou feminina não tem de ser obrigatoriamente pai e mãe.
A própria palavra, “Parentalidade”, não consta em dicionários de língua portuguesa, é um neologismo, é uma organização teórica.
A parentalidade ultrapassa masculino vs feminino, mãe vs pai; ou seja, já não é necessária uma relação de conjugalidade para poder haver parentalidade. As novas técnicas de procriação assistida (barrigas de aluguer , por exemplo). As mulheres começam a entrar em espaços e universos masculinos onde por vezes, não há espaço para uma relação entre um casal.
Passamos de uma geração pivot para a Geração Sandwich onde a desigualdade de géneros parece ter sofrido uma grande alteração, tendo diminuindo drasticamente. Havia um afastamento considerável da figura masculina mas isso tem vindo a ser alterado .
Com o divórcio a ser cada vez mais uma coisa normal, vão surgir novas possíveis figuras parentais na nossa sociedade que não se sabe, devido à sua precocidade, que futuramente poderão vir a ser bons modelos de parentalidade. Ainda não está estudada a relação entre crianças e madrastas/padrastos, haverá então uma difusão de parentalidade.
Na minha opinião todos podem exercer uma relação de parentalidade com a criança, independentemente das circunstâncias, os laços criados não têm de ser exclusivos de uma específica identidade. O que realmente interessa é a atmosfera à qual a criança está sujeita, pois isso irá determinar a sua visão relativamente à vida futura.
Agora pensemos, quem somos nós para nos opor ou destruir uma relação de parentalidade que muitas vezes é evidente?

Viver mais com menos

Já todos nós estamos cansados de ouvir falar sobre a actual situação económica mundial, europeia, grega e, cá mais perto, a portuguesa. Pode-se mesmo afirmar que já nos enjoamos de ouvir sempre a mesma música, dita e repetida diariamente pelos pivôs televisivos, música esta que já não contrai impacto nos nossos ouvidos calejados de tanto do mesmo. Esta vida que começa já a mostrar sinais de palidez e de desespero para muitos seres humanos leva-me a perguntar se haverá outra forma de viver a vida sem que esta seja regida pela cor do dinheiro...
Descobri, após uma pequena pesquisa, que existe esperança (num cenário onde esta parece ser o fruto que menos floresce devido à "seca" de princípios e moral), podendo-se notar pequenos oasis onde a esperança se alia à verdadeira felicidade e natureza humana, recriando uma velha forma de estar e viver neste mundo que sempre teve tudo para todos. Falo de fenómenos contrários ao êxodo rural, fenómeno este que marcou profundamente a sociedade e geografia humana de Portugal. Este novo êxodo são casos de jovens casais, na sua maioria com licenciaturas e mestrados que procuram, no cenário em que os país e avós abandonaram, uma nova vida em harmonia com a natureza e tudo o que a integra.
Estes "novos rurais" procuram mudar a sua vida, num cenário onde regulam o seu próprio tempo, onde desenvolvem actividades económicas de forma ecológica retirando destas o necessário paras as necessidades que eles próprios não podem colmatar. Procuram assim fugir às amarras do capital, do quotidiano citadino e de todos os males inerentes à vida nesta suposta "sociedade moderna". Será este o verdadeiro caminho a seguir na busca da felicidade?

"Na falsa sociedade dos homens, por grandeza material, todos os confortos celestiais se desvanecem em ar."

George Chapman

A brincar a brincar...

Um dia isto tinha que acontecer- por Mia Couto


Para pensar e reflectir...


"Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?"

A fé da ministra



Portugal é um país de clima Mediterrânico, está localizado numa posição estratégica, rodeado pelo mar e com uma grande quantidade de horas diárias de sol. Estão então reunidas todas as condições para que seja um país bastante produtivo e para que a agricultura, a pesca e a criação de gado sejam os pilares da economia do país. Mas isso era há muito, muito tempo atrás. A verdade é que se hoje percorrermos o país de norte a sul são mais os campos que estão por cultivar do que aqueles que estão cultivados.
As situações de seca no Verão são frequentes em Portugal Continental devido às altas temperaturas, embora a sua incidência não ocorra de forma uniforme em todo o território. Acontece que em pleno Inverno, tal não é de todo normal. Este ano a precipitação foi escassa, praticamente não choveu. Esta situação fez com que todo o território continental mergulhasse numa situação de seca extrema verificando-se numa grande parte das regiões interiores problemas graves de fornecimento de água, tendo havido a necessidade de se recorrer a meios alternativos para garantir o abastecimento das populações.

Para minimizar os impactos causados no sector agrícola, Fevereiro teria de ser um mês bastante chuvoso para reverter a situação, visto que embora chova na Primavera essa precipitação nunca será em quantidade suficiente, mas, tal não se verificou e desde 1931 que já não se vivia um Fevereiro tão seco. Mas a falta de chuva não tem repercussões apenas no sector agrícola, as pastagens de Inverno serão bastante afectadas e tenderão a desaparecer pois ficarão mais sensíveis e vulneráveis a pragas e, o sector animal é o que mais sofre. Com as pastagens a desaparecer, o gado começa a ser alimentado à mão com palha e fenos que estavam guardados para o Verão, aumentando assim o prejuízo dos criadores de gado. Face a isto, o governo terá de fazer, rapidamente um levantamento do impacto do problema e dos prejuízos da falta de água em todos os sectores para accionar mecanismos de ajuda europeia. Assim, foi criada uma “task force” que faz esse levantamento “através de diversos organismos oficiais, que estão em contacto com as associações do sector, para "monitorizar", "sinalizar" e "fazer a previsibilidade dos prejuízos".
Na comissão Parlamentar da Agricultura que se realizou dia 21 de Fevereiro, Assunção Cristas, ministra do Ambiente, do Mar, da Agricultura e do ordenamento do território afirmou entre outras coisas, o seguinte “sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza. Se não vier de todo, não perderei a minha fé mas teremos obviamente de actuar em conformidade". Esta afirmação suscitou-me alguma confusão e não está relacionada com o facto de a senhora ministra ser católica ou não mas sim com "se não vier de todo" é até quando? Até quando o pedido de ajuda europeia se vai arrastar?

Ora, a população portuguesa é maioritariamente católica, cerca de 85% segundo os censos de 2001. Mas e os outros 15%? A quem pedem a chuva?
Até agora, ainda não caiu uma única pinga de água. Das duas uma: ou o São Pedro não está de todo do lado dos Portugueses, ou então estes andam tão ocupados a tentar arranjar soluções com as suas próprias mãos enquanto a ajuda do governo não chega que nem tempo têm para levar as mãos ao céu.
Continuem a rezar, continuem a rezar…

“As diferenças entre homens e mulheres são sobretudo culturais” Lise Eliot

Este artigo, retirado do site da revista Super Interessante e publicado na edição 161 (Setembro de 2011) desta mesma revista, tem como tema principal as supostas diferenças acentuadas nas capacidades e habilidades de cada género. Inclui uma pequena entrevista a Lise Eliot, neurocientista norte-americana que se tem dedicado ao estudo das desigualdades entre rapazes e raparigas, tentando comprovar que a maior parte é apenas de senso comum e que, na realidade, a lista é curta. Para completar a sua pesquisa e justificar a sua argumentação, Lise Eliot publicou o seu mais recente livro “Pink Brain, Blue Brain”
No começo do artigo, é-nos sugerido que, até mesmo numa simples circunstância de uma aula de laboratório, podem ser visíveis as diferentes reacções dos alunos no que diz respeito ao manuseamento de um cérebro humano. O normal era as raparigas sentirem-se enojadas, desconfortáveis com a situação e dar alguns “gritinhos”. Porém, tal como a neurocientista refere, estas reacções são, por vezes, o resultado de um reflexo condicionado há muito aprendido. Relacionando esta observação contida no artigo em questão com a matéria abordada na sala de aula relativa a Pavlov, entendi que, de certa forma, as alunas do sexo feminino foram educadas e ensinadas a não demonstrarem qualquer satisfação quando vêem um órgão do corpo humano, por exemplo. Isto é, o mais normal seria, os rapazes “deliciarem-se” com a presença de um cérebro e mostrarem curiosidade em explorá-lo.
Considero interessante a passagem em que a professora sugere aos pais que tenham uma mentalidade aberta acerca deste assunto dado que a personalidade e as habilidades dos filhos nem sempre tem que “encaixar” nos estereótipos. Estereótipos esses sustentados pela gramde pressão social existente para que, por exemplo, os rapazes gostem mais de azul e de carros. Quando um jovem tenta sair destes padrões ditos “normais” é, normalmente, julgado e mal interpretado pela sociedade. Neste sentido, acho interessante que Lise Eliot aconselhe os pais, visto que são os responsáveis pelo desenvolvimento dos jovens e devem, juntamente com os professores, estimular uma educação para a igualdade de géneros. Citando a entrevistada “quanto mais controlo for exercido por pais e professores e mais igualitária for a educação que lhes oferecem, mais se irão parecer entre si. Quanto menos os controlarmos, mais diferentes serão, pois existe uma grande pressão social que os leva a seguir em direcções distintas, se os deixarmos sem preparação e educação.”
A minha opinião acerca deste problema vai de encontro à de Lise Eliot. Penso que as diferenças entre rapazes e raparigas não são assim tão significativas como a sociedade nos faz crer e, por vezes, têm tendência para se acentuarem devido a estratégias de marketing e a padrões de consumo. De certa forma, também penso que chegam a ser os próprios homens e mulheres que pretendem ser vítimas destas discrepâncias de capacidades, por não gostarem de ser vistos como iguais e por preferirem estimular uma barreira que os divide, tornando incessante a famosa “guerra dos sexos”.
Durante a leitura desta breve entrevista ocorreram-me algumas perguntas: até que ponto a forma como uma criança é educada pode definir a sua personalidade? Será que o facto de uma jovem rapariga ser instruída só na companhia de homens leva-a a ter para um comportamento maioritariamente masculino? Em que medida a pressão social condiciona os gostos de uma criança?
Lamento a existência de pouca investigação neste campo de pesquisa, mas, após a leitura deste artigo, a minha opinião inclina-se para a de Lise Eliot, como já referi, devido ao seu fundamento nos estudos de neurocientistas de grande prestígio e reconhecimento.
Por fim, considero que a sociedade tem vindo a desenvolver progressivamente uma consciência mais acentuada na defesa da igualdade de oportunidades, instaurando estes valores em diversos sectores sociais. E, com base nas declarações de Lise Eliot, penso fazer todo o sentido, dado que “as diferenças entre homens e mulheres são sobretudo culturais”.

sábado, 10 de março de 2012

República das Bananas?

Assistimos diariamente ao desenrolar de uma história que intitularam "Crise em Portugal". Fazem-nos acreditar que, de entre todos os personagens, são as pessoas a título individual que têm responsabilidade nesta conjuntura, e assim as mesmas terão que compreender a crescente privação de direitos fundamentais e indiscutíveis a que vêm sedo habituadas.
Quanto a mim, encontramo-nos envoltos numa regressão civilizacional escandalosa mas acima de tudo preocupante. Somos a geração que irá sofrer as consequências de uma instabilidade política na educação, em que todos os anos nos regemos por orientações diferentes, perturbando o percurso escolar que seguíamos até então; somos a geração que se irá deparar com um possível acréscimo nas 8 horas diárias de trabalho, que desde 1886 se consolidavam nas lutas de trabalhadores americanos; somos a geração que irá compactuar com clientelismos e interesses económicos por que as grandes instituições bancárias se movem e nos movem; somos a geração que terá qualificações académicas desperdiçadas por detrás de caixas de supermercado; somos a geração que verá a sua saúde condicionada pelo seu poder económico, já que a política de privatização deste sector é agora uma "realidade em expansão"; somos a geração que será menosprezada em prol de jogadas politico-económicas que em nada contribuem para o bem-estar e felicidade humanos.
É esta mesma geração que vejo desinteressada por um lado, conformista por outro.
E enquanto as consequências desta realidade se revelam no dia-a-dia de cada um, esta devia ser uma geração com esperança, uma geração mais (reinvindic)ativa do que nunca.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Aula com Paul Krugman

Para aqueles que não me conhecem, sou ex-aluno da Escola Secundária de Severim de Faria, e pertenci à turma de 2010/2011 de Ciência Política. Após um longo afastamento das publicações, e agradecendo ao professor João Simas a oportunidade de voltar a publicar, venho contar-vos uma experiência diferente.
Actualmente estou a estudar Economia na NOVA SBE, e dado estar a residir em Lisboa, tive a felicidade de assistir à cerimónia de entrega do triplo grau de Doutor Honoris Causa a Paul Krugman, prémio Nobel da Economia em 2008, e um dos mais conhecidos autores de livros sobre Economia, mais especificamente da área da Macroeconomia. Após esta cerimónia, Krugman, como é conhecido, deu uma entrevista à RTPN ainda no dia de ontem, a qual aconselho a visualização, e que juntamente com a cerimónia me incitou a escrever este texto.
Para quem não sabe, este economista de reputação de topo mundial, cronista no jornal Financial Times, defende uma doutrina chamada "Keynesiana" de John Keynes, ou seja defende uma intervenção parcial do Estado na economia. Krugman é, portanto, bastante aplaudido pela Esquerda (não radical) em todo o mundo.
Independentemente da minha concordância ou não com esta doutrina, as diversas intervenções de Krugman durante a cerimónia e na entrevista, digamos que, me abriram horizontes àquilo que eu pensava sobre o futuro de Portugal, sabendo que é muito imprevisível.
Julgo ser do conhecimento geral que a "saúda" da nossa economia é preocupante. Alguns pontos a referir: Dívida pública à volta dos 100% do PIB. Défice orçamental à volta dos 8% PIB. Taxa de Desemprego à volta dos 13%.
Então comecemos por explicar a situação que estes indicadores nos revelam. Durante os últimos anos, o Estado tem vindo a pedir empréstimos a Bancos para conseguir proporcionar os serviços que lhe competem, como educação, saúde, segurança, etc. O chamado Estado- providência, tem sido mantido à custa do endividamento das contas públicas. Não estou a dizer que foi o Estado-Social que causou o buraco financeiro português, o próprio Krugman, avisa que não foi, antes as negociatas que o Estados fez em seu desproveito. Mas a verdade é que neste momento apenas vamos a um hospital e somos tratados (independentemente das nossas condições financeiras) porque há entidades privadas e públicas que emprestam dinheiro ao Estado. E esse dinheiro, forma uma dívida, que tem vindo a ser acumulada, acumulada, até que chegou a um ponto em que se tornou, colossal. Para piorar a situação, temos um défice orçamental à volta dos 8% do PIB, (limite de Maastricht é de 3% se não estou em erro). Isto significa que o Estado está a gastar mais do que aquilo que pode, e seja no que for, terá que fazer cortes, para reduzir as despesas, e aumentar impostos para aumentar receitas. Por último, temos a taxa de desemprego mais elevada da nossa história.
Como se resolve isto? Até ante-ontem, pensava que a austeridade, aliada à legislação laboral que visa reduzir os custos do trabalho para tornar a nossa economia mais competitiva permitiria por um lado, reduzir o défice das contas públicas, e por outro fazer crescer o PIB e as exportações, e assim diluir o peso da dívida pública. Acontece que, se a dívida corresponde a 100% daquilo que produzimos, então tudo aquilo que estamos a produzir (em termos monetários) servirá para pagar a dívida. Mas acontece que não podemos ficar sem comer nem sem casa, nem sem tomar banho durante um ano, portanto, a dívida, vai-se pagando, devagar, devagarinho, mas quem nos emprestou o dinheiro, ao ver a nossa dificuldade em pagar, tenta recuperar o dinheiro através dos juros elevados que cobra. Resumindo ficamos com uma dívida maior, e mais difícil de pagar. O défice público, esse irá "facilmente" ser corrigido pela austeridade. Portanto sobra-nos a dívida galopante, e o desemprego. Porque é o desemprego preocupante? Por todas as razões pessoas que afectam cada família, isso em primeiro lugar, e segundo, porque um país com elevado nível de desemprego é um país com elevado nível de descontentamento, e isso em nada ajuda a democracia, porque quem está sem emprego precisa de uma mudança radical, torna-se um alvo perfeito para os grupos radicais. Porque um desempregado sente-se excluído, sente que a sociedade não tem lugar para ele e que não lhe irá dar uma vida digna (dinheiro, entenda-se).
A solução? Krugman disse: se não estivéssemos no Euro, bastava desvalorizar a nossa moeda, pagaríamos o preço não muito suave disso, mas tal como a Islândia fez aumentaríamos a nossa competitividade em 25% do dia para à noite. Como não podemos fazer isso, a solução passaria por dar incentivos fiscais para atrair capitais estrangeiros para Portugal. Estamos na União Europeia, não podemos ir muito longe nessa matéria como fez a Irlanda à uns anos a trás. Resta-nos atrair capital estrangeiro pela via mais desonrosa, mais inglória, e geradora de desigualdade social. Desvalorização salarial. Mais 20 a 30%, diz Krugman (de esquerda), e isto não é mesmo nada bom de se ouvir. E não é mesmo nada bom porque o actual Governo diz que não precisa de mais dinheiro, nem de mais tempo, e isto implica, pensava eu, "vai haver mais austeridade em 2013", Passos Coelho diz que não. Então afinal têm a fórmula mágica que Krugman não conseguiu ver? Ou será que alguém convenceu Angela Merkel a aumentar os salários na Alemanha? (isto seria semelhante a reduzir os nossos, pois iria tornar-nos mais competitivos em termos de custos face aos alemães, mais do que já somos, obviamente.) ... Alguém não está a dizer tudo o que sabe... Porque fórmulas mágicas não existem.


PS: A gasolina bateu hoje um novo recorde! 1,70€/litro.

António Martins

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Hinos do liberalismo (Portugal e Brasil)

Hymno da Carta Ó Pátria, Ó Rei, Ó Povo, Ama a tua Religião Observa e guarda sempre Divinal Constituição (Coro) Viva, viva, viva ó Rei Viva a Santa Religião Vivam Lusos valorosos A feliz Constituição A feliz Constituição II Ó com quanto desafogo Na comum agitação Dá vigor às almas todas Divinal Constituição (Coro) Viva, viva, viva ó Rei Viva a Santa Religião Vivam Lusos valorosos A feliz Constituição A feliz Constituição III Venturosos nós seremos Em perfeita união Tendo sempre em vista todos Divinal Constituição (Coro) Viva, viva, viva ó Rei Viva a Santa Religião Vivam Lusos valorosos A feliz Constituição A feliz Constituição IV A verdade não se ofusca O Rei não se engana, não, Proclamemos Portugueses Divinal Constituição (Coro) Viva, viva, viva ó Rei Viva a Santa Religião Vivam Lusos valorosos A feliz Constituição A feliz Constituição Hino Nacional do Império do Brasil Já podeis da pátria filhos Ver contente a mãe gentil; Já raiou a liberdade No horizonte do Brasil. Brava gente brasileira Longe vá... temor servil: Ou ficar a pátria livre Ou morrer pelo Brasil. Os grilhões que nos forjava Da perfídia astuto ardil... Houve mão mais poderosa: Zombou deles o Brasil. Não temais ímpias falanges, Que apresentam face hostil; Vossos peitos, vossos braços São muralhas do Brasil. Parabéns, ó brasileiro, Já, com garbo varonil, Do universo entre as nações Resplandece a do Brasil.

Hino e músicas da Revolução francesa





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sangue; Suor e Lágrimas

Ontem, no primeiro dia de Fevereiro de 2012, morreram mais de 70 pessoas num estádio de futebol. A tragédia ocorreu em Port Said, no Norte do Egipto. Tudo começou quando o árbitro deu por terminada uma partida de futebol. Emoções à solta, associadas à falta de protecção policial, permitiu que acontecesse algo que, a meu ver, não faz sentido num mundo moderno.
Um jogo de futebol é só um jogo de futebol. É verdade que existem grandes rivalidades entre adeptos, incluindo em Portugal; é verdade que, por vezes, devido a más arbitragens, ocorrem injustiças; é verdade que o ser humano tem tendência em ripostar quando é provocado; mas nenhuma destas razões justifica uma chacina tão grande.
Quando termina um campeonato, começa outro. Um clube que hoje está no auge, amanhã pode ir à falência. Mas uma vida humana, uma vez perdida, não pode recuperada. Isto que aconteceu foi tão estranho, que dificilmente foi uma coincidência. O mais provável é que todo o acontecimento tenha sido planeado, e que tenha ocorrido, não por motivos desportivos, mas sim por motivos políticos. A primavera árabe faz-se sentir de muitas formas...
Partidários de Mubarak? Provavelmente. Não é por acaso que morreram tantas pessoas, mesmo num confronto destes. Foram encontrados adeptos mortos nos balneários das equipas. No nosso país, rivalidades sempre existiram, mas nunca morreram pessoas desta forma.
Já se fala da intervenção do exército, e como se sabe, isso representou o início de muitas ditaduras militares no mundo. O próprio Manuel José, treinador de uma das equipas que disputaram o jogo (Al-Ahly), foi fechado num quartel, por motivos de segurança.
Já agora, o campeonato egípcio foi suspenso, por tempo indeterminado, e a Liga Portuguesa decidiu cumprir um minuto de silêncio nos jogos deste fim-se semana, em honra das vítimas deste massacre.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Outras músicas



Apenas um vídeo feito num país árabe, onde há judeus e muçulmanos que convivem, em que se faz música que combina formas modernas com tradicionais, apesar de ao lado haver fundamentalistas que querem proibir quase tudo.

Sobre a maçonaria