O
Parlamento dos Jovens é organizado pela Assembleia da República, em colaboração com outras entidades, com o objetivo de promover a educação para a cidadania e o interesse dos jovens pelo debate de temas da atualidade.
Foi no dia
28 de fevereiro, no
Anfiteatro Direcção Regional da Educação do Alentejo que se deu a 2ºfase – Sessão Regional – do Parlamento dos Jovens.
Sete escolas do distrito adicionaram-se a este debate com o intuito de expôr, defender e promover as suas ideias, atacando e contra-argumentando as medidas opostas.
Pelas 10h30, a sessão inicia-se. Na mesa está presente a Senhora Vereadora da Educação e Cultura, Drª Cláudia Sousa Pereira; o vice-presidente, Fábio Mileu; o Presidente, Pedro Pisco; o Secretário, João Siquenique; a Senhora Deputada, Drª Rita Rato; e, finalmente, a Senhora Diretora Regional do Alentejo da Direção Regional da Educação, Drª Maria Reina Martins.
Depois de procedida a chamada de todas as escolas presentes – Escola Cunha Rivara, Epral de Estremoz, Epral de Évora, Escola de Montemor-o-Novo, Escola Secundária de Severim de Faria (
representada pelos deputados: Ana Garcia, Inês Rosa, Manuel Cotovio, Bruno Alves e Beatriz Candeias), Escola Públia Hortência de Castro, Escola Gabriel Pereira – foram reservadas algumas palavras de apreço para os alunos ali presentes e até professores.
A Drª Rita Rato começa por avaliar que o tema, “
não é um tema fácil(...) não é uma discussão que foi feita de forma profunda na Assembleia da República”. Defende que as redes sociais têm
“um papel determinante, e uma função complementar”, no entanto salvaguarda que esta aderência às redes sociais nao substitui à ação de cada indivíduo.
“Participar de forma consciente, ativa demonstra como a juventude se preocupa nos cumprimentos dos seus deveres”, foram algumas das palavras da Drª Cláudia Sousa Pereira que sublinhou a importância de dinamizar, agradecendo o empenho dos deputados.
“Com estas atividades o país desenvolve-se.”
A Drª Maria Reina Martins, afirma que iniciativas como estas são um contributo para a sociedade, “
Estão aqui para ajudar os jovens, para que assim os cidadãos que não participam tanto possam usufruir do vosso trabalho.”
Posteriormente, é dado uma hora para colocar algumas perguntas à Drª Rita Rato, sendo dado oito minutos a cada escola. A escola Secundária de Severim de Faria é a primeira a pedir a palavra, colocando a seguinte questão:
“Em que medida as redes sociais podem influenciar positivamente as decisões do parlamento?”
A Senhora deputada, primeiramente, afirma que a Assembleia da República integra partidos com opiniões deferenciadas.
Para mostrar duas situações comuns, questiona,
“Que efeito tem as propostas feitas no Parlamento dos Jovens?”, repondendo prontamente, “
Apresentar iniciativas legislativas sobre isso.” Logo conclui que tudo o que são contributos para uma maior fiscalização de maior transparência do papel dos deputados, e do funcionamento da Assembleia, zela pela saúde do regime democrático.
As intervenções das outras escolas vão de encontro ao tema, à exceção da Epral de Estremoz que se debruça na questão do emprego jovem, e que medidas poderiam ser tomadas na ótica do partido.
As 11h e 40 inicia-se à apresentação dos projetos, e é dado aos representantes de cada escola oito minutos. Da Escola Secundária de Severim de Faria vão dois representantes – Ana Garcia e Bruno Alves – que apresentam as três medidas:
1. 1. Criação de uma rede social gerida pelo Estado, na qual cada cidadão possa participar na atividade governativa e aceder de uma forma mais direta às várias questões de interesse nacional e/ou local;
2. Implementação de um programa de inclusão social direcionado para a participação nas várias redes sociais. Cada junta de freguesia disponibilizará o espaço, os equipamentos e as condições para se realizarem ações formativas dirigidas a todas as faixas etárias.
3. 3. Desenvolvimento de uma rede nacional virtual de voluntariado, em que se permita estabelecer a comunicação entre todas as IPSS e as pessoas disponíveis para esta forma de participação cívica.
Na apresentação dos projetos de recomendação a única anomalia observada foi na Escola Públia Hortência de Castro que noticiou, sem aviso prévio, que iria haver a alteração das últimas duas medidas.
Passado vinte minutos inicia-se o debate, onde os deputados de cada escola iriam comentar e esclarecer.
Foram visíveis alguns conflitos entre a Escola de Montemor-o-Novo com a Escola Gabriel Pereira. A 3º medida desta última escola foi alvo de críticas, chegando a ser denominada como
“ridícula”.
Posteriormente é a Escola secundária de Severim de Faria que interpela a Escola Cunha Rivara. É o deputado Manuel Cotovio que vai apontar os efeitos inerentes às medidas propostas.
Quanto à primeira medida questiona-se quem garantia a segurança, que de certa forma, se encontraria subjugada à liberdade de utilização de cada utilizador.
A sobrecarga horária no 3º ciclo, e a formação de professores é mais uma crítica apontada, desta vez à 2º medida.
Na 3º medida e em jeito de ironia, o deputado Manuel Cotovio afirma,
“Nós temos o moodle. Não sei se na vossa escola tambem existe”, o que prontamente é classificado como
“golpe baixo” pela deputada da Escola Cunha Rivara.
A Epral de Évora é aquela que mais interpela a Escola Secundária de Severim de Faria, determinando como desvantajoso a criação de uma rede social que se iria sobrepôr à participação de cada indivíduo. No entanto, a escola interpelada nao baixou as guardas e sublinhou o caráter opcional da medida, afirmando que “o facebook não chega”, pois todas as medidas defendidas pela Epral pólo de Évora zelavam pelo facebook e a sua utilidade. Assim, em jeito de resposta os deputados da Severim de Faria também direcionavam uma provocação.
Entre medidas de apoio psicológico, de controlo e vigilância dos utilizadores, ou o facebook como solução... nenhum deputado inibiu o seu poder de argumentação. Era ali obrigatório defender e criticar, sem arranjar inimigos num debate que se dava por terminado pelas 13h 15.
Procede-se à votação dos projetos de recomendação.
Há um empate entre a Epral de Estremoz e a Escola Secundária de Severim de Faria por 20 votos, levando a melhor a Epral de Estremoz.
Às 15h a sessão é reaberta, e dá-se lugar à leitura das medidas ganhas. Posteriormente chega-se ao momento do editamento/ correção da redação, isto é, há uma divisão de dois grupos – o Grupo A constituído pela Escola de Montemor-o-Novo, Cunha Rivara, Epral de Évora e Gabriel Pereira (24 elementos); e o Grupo B formado pela Escola Secundária de Severim de Faria, Públia Hortência de Castro e Epral de Estremoz (18 elementos). Eram admitidas três propostas, duas de editamento e uma de eliminação.
Não há medidas de eliminação, no entanto todo o projeto da Epral de Estremoz é modificado.
Os deputados do Círculo de Évora apresentam as seguintes recomendações:
1. As Redes Sociais movimentam a democracia e podem ser o veículo de aproximação
dos jovens à causa pública. Desta forma propomos a criação do perfil de Rede Social
oficial do Parlamento Português com informação isenta de cada ideologia politica e
de uma plataforma anexa, onde os representantes políticos podem fazer um resumo
periódico dos trabalhos parlamentares.
2. O desenvolvimento de uma rede nacional de Voluntariado que promova ações regulares
de sensibilização comunitária onde várias instituições locais levem os cidadãos a integrarem as pessoas mais vulneráveis.
3. Criação de aplicação nas redes sociais para a eleição de uma medida mensal a ser debatida no parlamento português.
Eleição via validação na rede social com os resultados apresentados na mesma plataforma.
4. Sendo as redes sociais cada vez mais um fórum em que a inclusão digital é um fenómeno crescente, propomos a implementação de ações de sensibilização no plano curricular de várias disciplinas, como formação cívica área de estudo acompanhado e apoio ao estudo. No caso de não existirem estas disciplinas é feita uma sensibilização por parte de todos os professores.
Posteriormente à exposição do novo projeto, cada candidato colocou dois nomes de escolas no boletim de voto, que achassem credíveis e com potencial para representar aquele círculo.
Depois de muita tensão a escola vencedora havia sido a Escola Públia Hortência de Castro, que tinha conquistado o carinho e o respeito das outras escolas... talvez com o velho
cliché de agradar a
gregos e a troianos ou só pelo facto de ser um grupo dotado de elementos genuínos.
Há um empate entre a Escola de Montemor-o-Novo e Escola Secundária de Severim de Faria. Depois de uma nova votação é a Severim de Faria que se junta a Vila Viçosa na fase nacional.
É apresentado o tema do próximo ano – Igualdade de oportunidades, eleito por 12 votos.
No final, é a deputada Ana Garcia que agradece e zela por uma boa representação, com a promessa de uma porta-voz determinada, confiante e que leva os interesses de um corpo distrital, ao nacional.
“Agradeço a todos vós o excelente contributo que aqui trouxeram”, foram as últimas palavras do Presidente da mesa.
Encerra a sessão