sexta-feira, 27 de maio de 2011

Fotojornalismo

Sendo fotojornalismo, não tenho grande coisa a documentar à cerca desta fotografia. Somente pretendo contextualizar-vos: esta obra é de autoria de Elliot Erwitt e remonta aos anos 50, nos Estados Unidos. Leiam esta fotografia e façam uma pequena reflexão, tendo em conta a actualidade e o que conhecem do passado histórico dos EUA.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Eleições legislativas 2011

As eleições legislativas de 2011 realizam-se no próximo dia 5 de Junho: um dia muito importante para Portugal, pois determinará a política dos anos que se avizinham. Entre vários números, as sondagens feitas nas últimas semanas apontam- a maioria- para a vitória do Partido Social Democrata. Exemplificarei com a sondagem realizada de 28 de Abril a 3 de Maio cujos resultados são:


PSD - 35,8%
PS - 32,5%
CDS - 11,1%
PCP - 7,7%
BE - 6,6%
Outros, Brancos e Nulos - 6,3%
Não sabe ou não responde - 21,9%

Deste modo a Assembleia da República formar-se-ia com os seguintes deputados:
PSD - 92 a 99
PS - 80 a 86
CDS - 19 a 24
PCP - 14 a 16
BE - 10 a 12

A reflexão a que apelo reside aqui: todos os dias encontramos Pedro Passos Coelho em capas de revistas e José Sócrates em folhas de jornal; bem como Francisco Louçã gritando pelo seu fim em discursos e conferências televisivas; entre (poucos outros). Deste modo, conhecemos os lideres dos partidos políticos com maior adesão. E os partidos políticos que não conseguem sequer 1 único deputado na Assembleia da República? Muitos deles têm excelentes propostas, mas a maioria dos eleitores não os conhece, anulando assim qualquer hipótese de lhes conceder o mínimo de poder. Ainda que tenhamos partidos de diversas índoles, seria importante a influência de personagens partidárias com pontos de vista e causas divergentes.
Deixo aqui um site com todos os partidos políticos que estão a concorrer nestas eleições legislativas: http://pesquisa.bn.pt/PartidosPoliticos/index.html

sábado, 21 de maio de 2011

Pobreza - um problema Mundial


Apesar de todos os esforços realizados, a pobreza continua a ser um problema comum, um problema social. Como todos sabemos a pobreza é como que a anfitriã dos países do terceiro mundo, como Cabo Verde. Sendo a pobreza algo que todos deveríamos combater, é extremamente necessário criar consciência acerca deste problema. É verdade que várias instituições têm tentado lutar contra a pobreza e contra todos os problemas secundários que esta carrega, mas não tem sido fácil pois muitos dos governos opõem-se a essas ajudas e não procuram uma solução. Não sendo apenas triste ver em que condições vivem estas comunidades, é preciso também dar a mostrar ao restante mundo que a cada 6 segundos morre uma criança com fome. Todos juntos, podemos fazer acreditar estas crianças que têm um futuro melhor pela frente, ensinando-os, mostrando-lhes como sobreviver e também introduzindo uma forma de vida um pouco mais sustentável.
A luta contra a fome, contra o vírus HIV, o ensino e a sustentabilidade ambiental, fazem parte dos Objectivos do Milénio, objectivos estes que todos deveríamos ter em mente, pois com simples gestos podemos mudar o Mundo. Se todos continuarmos a acreditar que assim não o é, então nunca será possível atingir estes objectivos e tantos outros que ficam por referir.

sábado, 7 de maio de 2011

Amigos no facebook




Com alguma ironia e boa disposição vos deixo esta imagem (quem não conseguir ler assim, cliquem na imagem para a verem com zoom e melhor qualidade, vale a pena!)





domingo, 1 de maio de 2011

Desmascarar a mentira

Acabei, à pouco, de ouvir o comentário semanal do Professor Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, e prestei bastante atenção às suas palavras e ideias; pelo que houve uma que realmente surgiu como importante divulgar neste blog, e a esta turma de Ciência Política.
Durante cerca deste último mês e meio, alguns membros do Governo, e nomeadamente o nosso Primeiro-ministro têm pregado àqueles que os ouvem, uma mentira suja que lhes permite desculpar-se da situação actual em que se encontra o nosso país.
O discurso que ouvimos quase todos os dias, resume-se mais ou menos no seguinte:
Toda a crise que o país actualmente enfrenta é culpa do sistema económico internacional, o PEC 4 era a solução final para pôr fim aos problemas, e para Portugal sair da crise, o Governo tinha tudo sob controlo e muito bem planeado, e foi por culpa do principal partido da oposição (PSD), que ao reprovar na Assembleia da República o PEC, que originou o afundamento profundo do país, e que é por culpa dos outros que aqui temos o FMI.
Bem, não foi preciso ouvir o professor para facilmente apurar a mentira presente neste discurso, mas de facto ajudou a clarificar alguns pontos. Quase toda a natureza desta argumentação é falaciosa, e pretendo desmascarar ponto por ponto todos os argumentos.
Primeiro: A razão principal para a qual Portugal estar a atravessar esta dolorosa situação não é somente, e a meu ver nem é principalmente, por culpa da grave crise económica e financeira de 2008. Sim, é verdade já lá vão 3 anos desde o início da crise, e ao passo que outros países, tal como nós, foram atingidos, mas já levantaram a cabeça, e iniciaram a sua recuperação, aqui o cenário é outro, porque temos um Estado falido. Tal fenómeno; a falência do Estado, só se pode dever a erros de governação, e a erros na gestão das contas públicas. Quando se estuda economia, uma das primeiras coisas que se aprende é que em momentos de crise, o Estado deve impulsionar a economia do país, reduzindo impostos, e aumentando salários, mas tal só é plausível quando as contas do próprio Estado estão em ordem, e existe capacidade financeira para o fazer. No nosso caso, graças à má gestão dos recursos financeiros do Estado, somos forçados a fazer o oposto, aumentar impostos e reduzir salários e pensões. Portanto não se desculpem com a crise, porque a crise veio apenas mostrar aquilo que errado sucedia com as contas públicas.
Segundo: O PEC 4 não era a solução final para a crise interna, porque não havia solução. Tivemos primeiro o PEC 1, o PEC 2, o PEC 3, o Orçamento de Estado de 2011, e agora teríamos o PEC 4. Tudo isto, não era mais do que adiamentos à entrada do FMI em Portugal. Era compreensível que a maioria das pessoas não soubesse se a Troika iria ou não entrar no nosso país, mas era exigível ao Governo e todos os partidos políticos que traçassem um rumo e fizessem uma previsão daquilo que iria acontecer. Vários economistas afirmavam, outros duvidavam, mas pelo menos o Governo tinha a obrigação de divulgar qual era o estado das contas públicas, e de admitir que não tinha capacidade para evitar a entrada do FMI. A verdade foi-nos escondida, o FMI iria entrar em Portugal mais cedo ou mais tarde, restava era saber quando. E nestes compassos de espera que foram os sucessivos PEC's mais o Orçamento, o Partido Socialista montava a armadilha perfeita ao PSD. Porque eles sabiam da inevitabilidade do pedido de ajuda externa, mas foram comprando tempo com os PEC's, aguardando ansiosamente que o PSD caísse na asneira de chumbar um deles, para o Governo cair, e puderem acusar a oposição de criar uma crise política e querer assaltar o poder.
Na minha opinião, Pedro Passos Coelho foi bastante paciente para com o Governo. Apesar de não concordar com o Orçamento de Estado, o seu partido absteve-se para que este fosse viabilizado, e o PS garantiu inclusivamente, após as primeiras execuções orçamentais, tinha tudo sob controlo, que o país estava em condições de corrigir o défice e diminuir a dívida pública, e poucos meses depois, apresenta mais austeridade. Ou seja, afinal, o Orçamento de Estado não era suficiente. Julgo que foi aqui, que o PSD e o PS declararam guerra, e estava aberto o caminho para as eleições, porque o PSD não poderia dar nova carta-branca ao Governo, que havia mentido, quanto à capacidade de Portugal ultrapassar a crise sem ajuda financeira externa. Podem alegar que o PSD deveria ter viabilizado o PEC 4, e ignorar a mentira, para o bem do país, porque a entrada do FMI será pior. Nem isto é verdade, dado que a sua entrada era inevitável, o que o PSD fez foi chamar a ajuda externa o mais rapidamente possível, porque o Primeiro-ministro perdeu a credibilidade, e não é possível sermos governados com mentiras.
Portanto pensem bem, lembrem-se que o PS de José Sócrates governa há seis anos, e não há um mês (quando o PSD decidiu chumbar o PEC 4), pelo que a crise em Portugal não tem um mês, mas sim vários anos de governação "socialista", e que a entrada do FMI era inevitável, e o que eles pretendem é passar para a oposição essa culpa. Culpa que deveriam assumir. O Governo deveria demitir-se, e foi o que fez. Mas não para puder acusar a oposição de criar uma crise política, deveria demitir-se e declarar-se responsável pela crise e incapaz de a solucionar. Mas tal exigiria, certamente, que José Sócrates não se voltasse a recandidatar a Primeiro-ministro. E isso ele(s) não querem...

domingo, 24 de abril de 2011

Zeitgeist Movies

Durante estas férias tive a possibilidade de visualizar dois vídeos que achei deveras interessantes, e que, se tiverem paciência, penso que deveriam dar uma vista de olhos. Aviso previamente que são bastante extensos, mas valem mesmo a pena ver. Deixo aqui os links, pelos quais podem aceder directamente:


segunda-feira, 11 de abril de 2011

resumo do trabalho individual

O trabalho que apresentei é sobre Manuel Severim de Faria e que mostra uma breve descrição da sua vida, as suas profissões, como chegou a Chantre da Sé de Évora e a biblioteca em que constam várias obras publicadas pelo autor.
O trabalho, também apresenta a parte política no tempo de Manuel Severim de Faria, ou seja no tempo del Rei D. Filipe I de Portugal Também apresenta situação que Portugal apresentava na época e é referido em vários sectores do país, varias citações de vários livros como Discursos vários políticos e Noticias de Portugal em que referem a situação do país. Mostra as várias dificuldades nesses sectores e as várias formas de resolver e mostra varias comparações com outros países da Europa e do mundo.

fernando pereira 12º lh1 nº9

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Breve Reflexão

A vida não tem que ser nem será, em altura alguma, perfeita. Nem nós. Admiramos estranhamente o ideal de perfeição, mesmo sabendo que jamais será alcançado e que isto só traria conflitos e desinteresse.
Contudo, continuamos a ser hipócritas e comodistas. Continuamos a dizer uma coisa e fazer outra, continuamos a exigir dos outros algo que também não fazemos e a esperar que façam pela Humanidade algo que nenhum ou poucos de nós fazem.
Preferimos acomodar-nos à constante insatisfação e afirmar que este será o nosso eterno estado. A oportunidade de mudança está nas nossas mãos mas preferimos não tentar mudar porque temos medo de falhar, outros, simplesmente porque estão mais concentrados em si.
Pergunto: até onde teremos de ir para percebermos que é necessário mudar as políticas vigentes?
Custa-me ver que ao longo da história se têm cometido os mesmo erros vezes e vezes sem conta. Muitos deles talvez sejam resultado das nossas predisposições mas eu acredito que podemos ser educados e contrariar estas tendências. Nós somos muito egoístas e comodistas para fazermos algo em vez de nos lamuriarmos.
No fundo, passamos o tempo a auto destruirmo-nos e destruir os demais. Como um vírus que se propaga, somando cada vez mais infectados. No fim, esta infecção culminará com a nossa completa destruição.
Mas isto é apenas o meu pensamento e penso que ainda podemos contornar esta projecção, basta fazermos das utopias uma realidade. Não por imposição mas em conjunto.

Movimento 560

Há uns dias atrás, deparei-me com um site na Internet que considerei importante partilhar no blog. Esse site é acerca do Movimento 560, que apela à compra de produtos nacionais, com a finalidade de reduzir alguns problemas actuais.
Neste site são expostas as razões pelas quais devemos comprar estes produtos e evitar comprar outros que sejam estrangeiros: “quando o fazemos, estamos a contribuir para um maior crescimento das exportações desses fabricantes estrangeiros e (…) a tirar postos de trabalho no nosso país. Quando não compramos produtos nacionais e compramos artigos estrangeiros, os nossos fabricantes são obrigados a subir o preço dos seus produtos para compensar as quebras de produção. Ora se os produtos concorrentes já eram mais baratos na origem, isto faz com que os nossos fiquem ainda mais caros. E sendo mais caros, ninguém os compra. Toda esta situação leva posteriormente ao encerramento de muitas empresas e consequentemente ao crescimento do desemprego.
Após a apresentação de razões que são, para mim, suficientemente credíveis e convincentes, este site esclarece ainda mais o leitor:
-Distingue as marcas portuguesas dos produtos portugueses.
"Marcas portuguesas, como o nome indica, são marcas de carácter nacional, com origem e produção no nosso país (exemplos: Sumol, Compal, Mimosa, Critical Software).
Produtos portugueses, são produtos fabricados em Portugal por marcas nacionais, multinacionais ou mesmo internacionais, mas são produtos feitos com mão-de-obra nacional, que contribuem superiormente para o nossa economia e para o emprego no nosso país."
- Após este esclarecimento, é então explicado como é que se deve proceder para ter a certeza de que é comprado um produto português.
Procure no produto, o código de barras e verifique se ele começa por 560, seguidamente confirme na embalagem a origem do produto.
São ainda exemplificados alguns casos em que o código pode ser diferente, mas para tal a solução é sempre, como foi já referido, verificar também a origem do produto, na embalagem.



Achei que este é um movimento bastante interessante e fundamentado, e gostava então de deixar aqui este apelo, para que possamos todos ajudar desta maneira o país, se tivermos possibilidades para tal. Afinal, é das poucas coisas em que podemos realmente fazer a diferença e seria uma maneira eficaz de ajudarmos parte dos desempregados portugueses, bem como a economia que está cada vez mais dependente de outros países...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Alemanha será que é desta?


É através da história que se chegam a verdades inegáveis, ou então a factos indesejáveis, este que irei apresentar é um desses, um facto indesejável. Durante a altura da revolução industrial, a Alemanha iniciou a sua industrialização, como muitos outros países, e tornou-se uma das potências mais poderosas e mais desenvolvidas da Europa nessa altura, situação à qual temos que juntar o facto de a unificação alemã ter trazido um enorme poderio económico e militar. Apesar de ser uma potência emergente na Europa, nunca chegou a ter um lugar de grande destaque, mantendo-se num estatuto mediano.
Dando um salto no tempo de cerca de dois séculos, estamos em pleno século XX, e é neste século que se dá realmente o reconhecimento internacional alemão, ainda que não seja pelas melhores razões. Durante a primeira metade deste século a Alemanha teve um papel preponderante na história da Europa, causou as duas guerras mundiais, saindo derrotada de ambas, ainda que tal não fosse reconhecido. Durante a 1ª Guerra Mundial, supostamente despoletada pelo assassinato do Arquiduque Francisco Fernando, a Alemanha esteve em guerra, juntamente com o império Austro-Húngaro e o império Otomano, contra a França, o Reino Unido, os EUA, entre outros. Durante este acontecimento, a guerra das trincheiras devastou muitos territórios agrícolas franceses e alemães, também se perderam inúmeras vidas na Grande Guerra. Eventualmente o império Alemão saiu derrotado da primeira Guerra Mundial, 1914-1918, após a qual se seguiu uma grave crise financeira e o aparecimento de vários regimes totalitários, primeiramente o comunismo, com a URSS, e mais tarde o nazismo com Hitler na Alemanha. É devido a este regime totalitário e à sua ideologia de expansão e união de todos os seus “cidadãos” e respectivos territórios que surge a segunda Guerra Mundial, também é causada pelo desrespeito das directrizes do Tratado de Versalhes e as politicas executadas por Hitler.
Novamente a Alemanha sai derrotada de uma tentativa de expansão e controlo da Europa, nesta ocasião denominando-se de Alemanha Nazi. Após duas tentativas falhadas de controlo da Europa através das armas e da força, será que os ideais por detrás dessas acções de perderam ou simplesmente mudaram de estratégia? À luz da actualidade é seguro afirmar que, aparentemente, apenas mudaram de estratégia, deixando as armas e passando para a economia. Na primeira tentativa era Guilherme II o cabecilha, na segunda era Adolf Hitler, na terceira tentativa é Angela Merkel. Realmente aparenta que esta terceira tentativa de controlo europeu por parte de uma potência alemã irá conseguir cumprir o objectivo, até à data é muito difícil negá-lo. Numa situação à que congratular os alemães, não desistem e continuam com aquilo que pretendem.
SERÁ QUE À TERCEIRA É DE VEZ...
OU IRÁ A EUROPA ACORDAR NOVAMENTE E EXTERMINAR A AMEAÇA?

2 já foram e o terceiro?


À luz da realidade árabe actual, várias revoltas e muito descontentamento, já dois regimes políticos de dois países diferentes caíram e com eles as politicas opressoras, Egipto e Tunísia. O processo de libertação desses países foi relativamente rápido, quando comparado com o actual processo líbio, por que existia uma organização entre os rebeldes e os governos/lideres desses governos não possuíam um controlo total sobre a população, sentiam-se bastante ameaçados pelo seu povo e não possuíam uma grande capacidade de resposta à revolta.
Na Líbia esse processo de libertação aprecia que nunca mais termina, é necessário também realçar que em nenhum dos outros casos foi necessária a intervenção por parte da ONU e da NATO, como está a ser necessário na Líbia. Os motivos relacionados com essa demora no processo de destituição do governo e de Kadhafi e a instauração de uma república (aparentemente), são a falta de organização e de comunicação entre as forças rebeldes, que parecem que actuam sem qual quer tipo de ordens e fazem aquilo que melhor acham individualmente, em vez de existir uma união das forças rebeldes, uma maior comunicação, o cumprimento exacto de ordens, quando essas existirem, e acima de tudo existir uma coordenação de ataques se querem realmente serem livres. Este é um dos factores que mais condiciona o processo da revolução, apesar dos esforços das potências internacionais, como a França e os EUA, e de várias organizações, entre elas a ONU e a NATO são as de maior relevância, que através de várias operações militares, como os bombardeamentos e raides aéreos, com a zona de exclusão aérea, os congelamentos às contas bancárias do líder líbio e o apoio logístico e militar dado aos rebeldes.
Outro dos factores que condiciona bastante o processo de democratização na Líbia é o facto de Kadhafi possuir um regime extremamente opressivo, militarizado e absoluto. Dentro deste factor podemos destacar, como exemplo, a utilização de escudos humanos (ainda que não admitida oficialmente) na protecção de certos pontos estratégicos e os vários avanços da força aérea líbia contra civis. Devido à ideologia do regime liderado por Kadhafi, um fim parece não estar próximo, até porque os avanços das tropas do regime continuam a acontecer, recuperando assim terreno, e as investidas rebeldes parecem ser de curta duração. Chega até a ser legítimo afirmar que o que Kadhafi possui em demasia é aquilo que os rebeldes mais precisam, organização e coordenação.
No fundo não se pode esperar que as forças internacionais façam milagres e por isso cabe ao povo líbio e aos rebeldes organizarem-se e lutarem pela liberdade que tanto pretendem.
DOIS REGIMES JÁ CAÍRAM E O TERCEIRO? …
CABE AO FUTURO DECIDIR, MAS JÁ SE PODE VER UMA LUZ AO FUNDO DO TÚNEL...
AGORA, SERÁ VERDE OU TRICOLOR?

revolução na libia

A Revolta na Líbia, é uma onda de protestos populares com reivindicações sociais e políticas, iniciada no dia 13 de fevereiro de 2011 na Líbia. Tal como na revolução na Tunísia e na revolução no Egipto, os manifestantes exigiam mais liberdade e democracia, mais respeito pelos direitos humanos, uma melhor distribuição da riqueza e a redução da corrupção no seio do Estado e das suas instituições. O chefe de Estado líbio, Muammar Kadafi, é o chefe de Estado árabe no cargo há mais tempo: lidera a Líbia há 42 anos.
As principais alterações ocorreram nas cidades de Al Bayda, Derna, Benghazi e Bani Walid e em vários outros locais, mas em menor grau. Para evitar o efeito dominó dos vizinhos Tunísia e Egipto, o governo líbio reservou um fundo de 24 milhões de dólares em 27 de Janeiro, para financiar a construção de habitações e desenvolver o país. Vários intelectuais aliaram-se aos manifestantes, e foram presos na sua maioria, como o escritor e comentarista político Jamal al-Hajji, preso em 1 de fevereiro, que "terá apelado pela Internet aos protestos pela liberdade na Líbia e acusado dois dias depois, o que motivou protestos da Amnistia Internacional, que alega que al-Hajji está preso por razões políticas não-violência.
Uma avaliação preliminar mostra que pelo menos quatro pessoas morreram e dez ficaram feridas gravemente nos protestos de 16 de fevereiro. O dia 17 de fevereiro foi chamado "dia de Raiva" contra Khadafi. Nas redes sociais circulam apelos para manifestações maciças em todo o país.O pais desde a revolução tem estado em guerra entre os populares e as tropas de khadafi e já teve intervenção de varios paises como os estados unidos da america.

fernando pereira nº9 12º lh1

revolução no egipto

A Revolução no Egipto, foi uma série de manifestações de rua, protestos e actos de desobediência civil que ocorreram no país no dia de 25 de Janeiro até 11 de fevereiro. Os organizadores das manifestações contaram com a recente revolta da Tunísia para inspirar as multidões egípcias a se mobilizar. Os principais motivos para o início das manifestações e tumultos foram a violência policial, o desemprego, o desejo de aumentar o salário mínimo, falta de moradia, inflação, corrupção, falta de liberdade de expressão, más condições de vida e factores demográficos estruturais. O principal objectivo dos protestos, era derrubar o regime do presidente Hosni Mubarak, que está no poder há quase 30 anos como presidente.
Enquanto protestos localizados já eram comuns em anos anteriores, grandes protestos e revoltas eclodiram por todo o país a partir do dia 25 de janeir, a data estabelecida por grupos de oposição do Egipto e outros para uma grande manifestação popular. Pela primeira vez, os egípcios de todas as esferas sociais, com diferentes condições sócio-econômicas juntaram-se aos protestos. Estas foram as maiores manifestações já vistas no Egipto desde 1977.
Mubarak, presidente do país na altura da revolução, dissolveu o governo e nomeou o militar e ex-chefe da Direcção Geral de Inteligência Egípcia, Omar Suleiman, como vice-presidente, na tentativa de sufocar a dissidência. Mubarak pediu ao ministro da aviação e ex-chefe da Força Aérea do Egipto, Ahmed Shafik, para formar um novo governo. A oposição ao regime de Mubarak, tem falado com Mohamed ElBaradei, diplomata egípcio, com todos os principais grupos de oposição apoiando o seu papel de negociador de alguma forma de governo transitório. Muitos estrangeiros procuraram sair do país, enquanto os egípcios realizaram manifestos ainda maiores. Em resposta à crescente pressão Mubarak anunciou que não vai tentar a reeleição em Setembro.
O objectivo principal dos protestos, enfim, foi atingido no dia 11 de fevereiro, quando o vice-presidente egípcio Omar Suleiman anunciou, a renúncia do presidente Hosni Mubarak, o que causou a comemoração da população na Praça Tahrir, no centro do Cairo, e em várias outras cidades do Egipto.

fernando Pereira nº9 12ºlh1

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Socieda Actual

Hoje vivemos num mundo onde todos nos dizemos "livres". Vivemos consoante o conceito de liberdade que construímos ao longo da nossa vida, com as nossas vivências e experiências.
Contudo, há um conceito que recai sobre este tema que nao é um assunto de hoje, é posto em questão desde sempre, "liberdade total".
Suponhamos como seria a sociedade de hoje com liberdade total, vou basear esta reflexão em 3 temas:
a- Consumo de álcool.
b- Deveres cívicos.
c- Obrigações sociais.

a- um tema redutor, mas que serve como um excelente exemplo. Imaginemos que sociedade estaríamos a criar se permitíssemos que jovens de 12, 13, 14 anos consumissem álcool. É um facto que já o fazem, na maioria, contudo, dar permissão é aceitar de o façam livres de qualquer tipo de consequências.
b- Deveres cívicos. Apenas pela designação concluímos que deixariam de existir, não há deveres na liberdade total. Mas pensemos no exemplo de pagar imposto, IVA, IRS... quem pagaria? quem iria descontar para a Segurança Social? assim sendo, todo o sistema governativo e apoios sociais como conhecemos seriam mentira. As pessoas são egoístas ao ponto de não perceberem o que é a S.S. e como poupar/"por dinheiro de parte" é apenas para elas próprias terem uma vida melhor mais tarde.
c- Obrigações sociais. falemos por exemplo de andar vestido na rua, ou respeitar a autoridade... para que? "Sou livre de dizer, fazer o que quiser, sem qualquer consequência"!

A liberdade total é uma teoria que por vezes se ouve falar como o futuro das sociedades ocidentais. Lutemos contra isso, vamos manter a integridade das nossa gerações, por mais complicado que seja, porque o é.
Temos de viver com os pés na terra e desejar algo maior, mas concebível!

Maria Leonor Alves Ribeiro

quinta-feira, 24 de março de 2011

"Os partidos"

Escrevia E. Burke em 1756

Resulta daqui que, embora se devam despachar os assuntos do Estado, se discute sobre qual dos partidos tem o direito de exercer esta ou aquela função, ou sobre que homens têm poder para manter os seus cargos em cada uma das funções do governo. Enquanto dura esta disputa, e continuam a os­cilar as várias funções, não existe qualquer perdão: toda a espécie de abusos e de infâmias dos ministros permanecem impunes, as maiores fraudes e roubos ao erário público são cometidas a despeito da justiça; e os abusos, com o tempo e com a impunidade, transformam-se em costumes, até que se fixam contra as próprias leis, e se tornam demasiado ar­reigados para admitir qualquer remédio, a menos que seja tão mau como a doença.
Em terceiro lugar, as várias partes deste tipo de gverno, ainda que unidas, conservam cada uma o espírito que possuíam separadamente[1]. Os reis são ambiciosos, os nobres arrogantes, e a populaça tumultuosa e ingoverná­vel. Cada partido, na aparência pacífico, transporta um plano de oposição aos outros, e é devido a isto que em to­das as questões, no que concerne quer a assuntos externos quer a assuntos internos, a discussão diz mais respeito aos interesses de cada uma das partes do que à natureza do próprio problema; discute-se se um certo passo aumentará ou diminuirá o poder da Coroa, ou se os privilégios dos súbditos serão alargados ou restringidos por causa dele. E as queses resolvem-se sempre sem ter em conta os mé­ritos de uma certa solução, mas somente em refencia a quanto poderão ganhar os interesses díspares dos partidos que a sustentam; e conforme aqueles que prevalecem, o balanço do poder pende ora para um lado, ora para o ou­tro. Um dia o governo apresenta-se como poder arbitrário de uma só pessoa, no outro dia como uma camarilha de poucos que enganam o soberano e escravizam o povo, um terceiro dia como uma democracia agitada e insubmissa. O grande artífice de todas estas mudanças, e que infunde nelas um veneno peculiar, é o partido. Não conta quais são os princípios de cada um dos partidos, ou que fins visam atingir; o espírito que anima todos os partidos é o mesmo: é o espírito da ambição, do interesse pessoal, da opressão e da traição. Este espírito destrói inteiramente todos os sãos princípios que uma natureza benévola teria posto em nós: a honestidade, a equidade, a justiça, e mesmo os afectos naturais que são os vínculos da sociedade natural. Numa palavra, Senhor, nós todos vimos, e alguns de nós, se é lícito chamar a atenção de um homem sábio considerações do género, sentiram os efeitos de uma tal opressão do partido no governo como não existe paralelo em nenhuma outra tirania. Observámos diariamente os direitos fundamentais, dos quais dependem todos os outros, reduzidos ao míni­mo, sem sequer a preocupação de salvar a aparência ou a mínima sombra de justiça. Observámos isso sem nenhuma comoção, porque crescemos no meio do espectáculo cons­tante de tais práticas, e não nos surpreendemos se se pedir a um homem para se tornar um velhaco e um traidor com a mesma frieza como se lhe fosse solicitado o favor mais banal, nem se esse homem recusar o pedido, não por este constituir um desejo injusto e despropositado, mas porque esta personalidade ilustre já prometeu a outros os seus iní­quos serviços.

Burke. (2008). Defesa da sociedade natural. Lisboa: Círculo de Leitores.


[1] Refere-se à análise que fez dos regimes políticos: despotismo, oligarquia e democracia.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Livres ou Felizes?

 De um filósofo actual (sublinhados nossos)

Livres ou Felizes?

Quero ser franco contigo: viver numa sociedade livre e democrática é uma coisa muito, mas mesmo muito, complicada. No fundo, os gran­des totalitarismos do nosso século (comunismo, fascismo, nazismo e ou­tros que apareçam, se é que ainda não estão todos) são tentativas de sim­plificar por meio da força a complexidade das sociedades modernas: são enormes simplificações, simplificações criminosas que tentam regressar a uma ou outra forma de beatífica ordem hierárquica primordial, nos ter­mos da qual cada um estava no seu lugar e todos pertenciam à Terra Mãe ou ao Grande Todo Comum. O inimigo é sempre o mesmo: o indivíduo, egoísta e desenraizado, caprichoso, que se desprende da acolhedora uni­dade social (ou seja, daquilo a que um pensador bastante cruel, Friedrich Nietzsche, chamava «o calor do estábulo") e assume liberdades exces­sivas por sua conta própria. Os totalitarismos troçam sempre das liber­dades «formais ou burguesas» em vigor nos regimes mais abertos: ridi­cularizam-nas, demonstram a sua inoperância, consideram-nas simples enganos para tolos ... mas assim que podem acabam com elas! Sabem que apesar da sua aparente fragilidade e da sua frequente ineficácia, o unanimismo totalitário não pode coexistir com as liberdades políticas elementares: se as tolerar, elas, a prazo, põem fim à autoridade de tan­ques e polícias.
Bom, é lógico que os Estados totalitários pretendam esmagar as li­berdades individuais, uma vez que o próprio nome que os designa de­riva da palavra «todo», e por isso esses Estados não aceitam a ideia de partilharem o poder com cada um dos seus cidadãos. Mas os inimigos da liberdade nem sempre estão no exterior, por vezes é dentro dos pró­prios indivíduos que os encontramos. Um psicanalista com ambições de sociólogo, Erich Fromm, escreveu há quase meio século um livro inte­ressantíssimo cujo título é já significativo: O Medo à Liberdade. É esse o problema:'O cidadão assusta-se com a sua liberdade, com a variedade de opções e de tentações que se desdobram diante de si, com os erros que pode cometer e com as barbaridades que pode chegar a praticar... se quiser. -se como que a boiar num mar de dúvidas local, sem pontos de referência fixos, obrigado a escolher pessoalmente os seus valores, submetido ao esforço de examinar por si próprio o que é preciso fazer, sem que a tradição, os deuses ou a sabedoria dos chefes possa aliviar grandemente a sua tarefa. Mas, acima de tudo, o cidadão tem medo da liberdade dos outros. O sistema das liberdades caracteriza-se pelo facto de uma pessoa nunca poder estar completamente segura quanto ao que vai acontecer. A liberdade dos outros, eu sinto-a como ameaça, porque preferiria que eles fossem perfeitamente previsíveis, que se parecessem obrigatoriamente comigo e jamais pudessem agir contra os meus inte­resses. Se os outros forem livres, é evidente que poderão comportar-se melhor ou pior. Não seria preferível que tivessem que ser bons à força? Não correrei demasiados riscos permitindo a liberdade deles? Muitas pessoas renunciariam de bom grado à sua própria liberdade contanto que os outros também não gozassem dela: assim as coisas seriam a todo o momento como devem ser - e mais nada. A minha liberdade é peri­gosa, porque posso utilizá-la mal e prejudicar-me a mim mesmo; quanto à dos outros nem vale a pena falar, uma vez que podem usá-la para me fazerem mal a mim. Não será melhor pôr fim a tantas incertezas? Não penses que são sempre os governantes que querem acabar com as liber­dades ou castrá-las ao máximo: muitíssimas vezes são os cidadãos que solicitam a repressão, cansados de ser livres ou receosos da liberdade. Mas a verdade é que quando concedemos a um Estado a oportunidade de limitar as liberdades «para nosso bem», só raramente o Estado deixa de agarrar a ocasião. Certos políticos totalitários, como Adolf Hitler, che­garam ao poder por meio de eleições: como vês, isso significa que já aconteceu os cidadãos livres utilizarem a sua liberdade para acabarem com as liberdades e empregarem a maioria democrática para abolirem a democracia.
As liberdades públicas implicam responsabilidade: trata-se de uma noção a que já atribuímos a devida importância na Ética para Um Jo­vem, como espero que ainda tenhas presente. Ser responsável é ser-se capaz de responder pelo que se faz, assumindo-o como um acto próprio, e uma tal resposta tem pelo menos dois aspectos importantes. Primeiro, significa responder «fui eu» quando os outros querem saber quem levou a cabo as acções que foram a causa mais directa destes ou daqueles efei­tos (maus, bons, ou maus e bons ao mesmo tempo); segundo, sermos ca­pazes de dar as nossas razões quando nos perguntam porque fizemos es­tas ou aquelas acções relevantes. «Responder», não era preciso lembrar­-to, é qualquer coisa que tem a ver com «falar», com entrar em comu­nicação articulada com os outros. Numa democracia, a verdade das ac­ções com repercussão pública não pode ser exclusivamente detida pelo agente que as leva a cabo, mas abre-se a esse respeito um debate mais ou menos polémico com os restantes associados. Embora possamos acre­ditar na bondade das razões que nos movem, devemos dispor-nos a ovir as dos outros sem nos fecharmos obstinadamente nas nossas, pois o contrário só poderá levar ou à tragédia ou à loucura. Dom Quixote con­sidera-se a si próprio um cavaleiro andante, mas é óbvio que deveria ovir de vez em quando a opinião dos que o rodeiam e medir o impacte so­cial das suas discutíveis «façanhas». Se não o faz é porque está louco, ou seja, porque se tornou irresponsável. Contudo, assumirmos os nos­sos próprios actos e sermos capazes de os justificar perante os outros não implica que renunciemos sempre à nossa opinião para nos vergarmos perante o parecer da maioria. A pessoa responsável tem que estar tam­bém pronta a aceitar, depois de expor as suas razões sem ter conseguido convencer os restantes associados, o preço de reprovação ou marginali­zação da sua discordância. As palavras de Sócrates no diálogo platónico Críton, quando se nega a fugir da cadeia e prefere enfrentar a condena­ção à morte sem abdicar das suas ideias, constituem o símbolo clássico desta atitude de maturidade vica suprema.
Os irresponsáveis podem ser de muitos tipos. Há aqueles que não re­conhecem a autoria do que fizeram: «não fui eu, foram as circunstân­cias». Nunca fizeram nada, mas foram empurrados pelo sistema político e económico vigente, pela propaganda, pelo exemplo dos outros pela educação que lhes foi dada ou pela falta dela, por uma infância infeliz, por uma infância demasiado mimada, pelas ordens dos superiores, pelo costume estabelecido, por uma paio irresistível, pelo acaso, etc. E tam­bém pela ignorância: como não sabia que seriam estes os resultados da minha aão, não me considero responvel por eles. Nota que eu não digo que para compreendermos cabalmente as acções de uma pessoa não devamos ter em conta os seus antecedentes, as circunstâncias, etc. Mas uma coisa é termos isso em conta, outra é convertê-lo numa série de fatalidades que anulam qualquer possibilidade de um indivíduo dever responder pelos seus actos. Naturalmente, esta recusa por parte do indi­víduo da condição de «sujeito», que o transforma em mero objecto arrastado pelas circunstâncias, só costuma verificar-se quando as con­sequências do acto que os outros lhe imputam são pouco agradáveis; se, pelo contrário, nos pusermos à procura do responsável por certas acções para lhe darmos um prémio ou uma medalha, o objecto da nossa busca proclamará «fui eu» com o maior dos orgulhos. É pouco frequente ovirmos alguém dizer que não foi a sua pessoa mas apenas as circuns­tâncias ou o acaso que fizeram o acto heico ou a genial invenção que os outros lhe atribuem...
Outra forma de irresponsabilidade é o fanatismo. O fanático recusa­-se a qualquer tipo de explicações: prega a sua verdade sem condescen­der com mais argumentos. Como é ele quem incarna indubitavelmente o caminho recto, os que discutem a sua verdade só podem fazê-lo mo­vidos por baixas paixões ou sujos interesses, cegos talvez por algum demónio que os não deixa ver a luz. O fanático também se não tem por responsável diante dos seus concidadãos, mas apenas perante uma ins­tância superior e, à partida, inverificável (Deus, a História, o Povo ou qualquer outro termo maiusculado que tal): as cautelas e leis habituais não foram feitas para gente como ele, que tem uma missão transcendente a cumprir... Geralmente menos terrorista, mas em contrapartida muito mais extensa é a irresponsabilidade a que poderíamos chamar burocrá­tica. É característica das instituições administrativas e governamentais em que nunca ninguém dá a cara por seja o que for que se faça ou não se faça: a coisa compete sempre a outro, o papel veio do gabinete lá de cima, isto muda-se naquilo também negociado, foram os superiores que decidiram (mas nunca se sabe que superiores) ou os subordinados que perceberam mal (é verdade que de vez em quando lá rola a cabeça de al­guma insignificância, mas sempre para impedir que se procurem as verdadeiras responsabilidades mais alto). O estilo da irresponsabilidade burocrática caracteriza-se pelo facto de quase nunca ninguém se demitir aconteça o que acontecer: nem por causa da corrupção política, nem por causa da incompetência ministerial, nem por causa dos erros cras­sos que os cidadãos têm que pagar do seu bolso, nem por causa da ine­ficácia manifesta quando se trata de acabar com os males cuja remoção fora prometida. Como o governante se considera irresponsável, tenta que a trama das instituições o ajude a gozar de impunidade. Toda a denúcia de abusos, por fundamentada que seja, parece fazer parte de uma campanha mavola dos adversários políticos; quanto à indignação dos cidadãos comuns, expressa através dos meios de comunicação, aplica­-se-lhe o velho princípio segundo o qual «os cães ladram e a caravana passa... ». Este modelo de irresponsabilidade governativa tem o seu com­plemento na irresponsabilidade dos que consideram não ter que respon­der por coisa nenhuma pois é o governo que deve resolver tudo. Eis uma vez mais a mentalidade totalitária, que torna o Estado e os seus repre­sentantes um absoluto fora do qual só existe impotência! Na sociedade democrática, nós, cidadãos, podemos e devemos reivindicar o nosso di­reito (pressupondo este último, em certa medida, a nossa obrigação) de intervir, de colaborar, de vigiar, de auxiliar quando isso nos pareça ne­cessário. Há pessoas que em vez de lamentarem que os imigrantes não conheçam o nosso idioma se oferecem voluntariamente para o ensinar aos estrangeiros, sacrificando algumas horas de ócio; outras cooperam com o seu esforço ou o seu dinheiro com movimentos sociais (educati­vos, anti-racistas, assistenciais, etc.) ou com instituições não-governa­mentais - como a Amnistia Internacional, as associações de direitos humanos ou os Médicos sem Fonteiras - cuja acção é imprescindível para melhorarmos a actual sociedade civil. Quem nunca se sente solici­tado, na sua consciência democrática, a fazer o que acredita que deve ser feito não fica quite com o seu dever por lamentar com eloquência que também «os governos» não o façam. Mas sem tirar sombra de im­portância à responsabilidade individual, é justo reconhecermos a nossa co-responsabilidade social no não-impedimento de situações próximas de nós que verosimilmente acabarão em crimes ou desastres.
Sejamos claros: os irresponsáveis são inimigos viscerais da liberdade, tenham ou não consciência disso. Todo aquele que não assume resposabilidades o que rejeita, no fundo, são as liberdades públicas, ininteli­gíveis se as desvinculamos da obrigação que cada um de nós tem de responder por si próprio. A liberdade é autocontrolo: ou andamos com um polícia, um médico, um psicólogo, um mestre-escola e até mesmo um padre ao lado para eles nos dizerem o que devemos fazer em cada caso que se nos apresente ou assumimos as nossas decisões, sendo ca­pazes de dar a cara pelas consequências delas, para o bem como para o mal. Porque sermos livres implica que nos enganemos e até que nos pre­judiquemos ao usar a liberdade: se nunca nos pudesse acontecer nada de mau ou de desagradável pelo facto de sermos livres... não o seríamos. Bem vistas as coisas, as Luzes políticas que, a meados do século XVIII, deram origem à democracia moderna pressupõem - como no seu tempo indicava já o velho Immanuel Kant - que nós, seres humanos, saímos da menoridade política. Se somos adultos podemos organizar-nos como iguais perante a lei e ser livres; caso contrário, precisamos de um Super­-Paizinho que nos defenda de nós próprios, quer dizer, que restrinja, oriente e administre a nossa capacidade de agirmos livremente. É evi­dente que o lugar de Super-Paizinho tem um candidato que se apresenta voluntariamente e conta com todas as vazas para a conquista do título: já deves ter adivinhado que estou a referir-me ao Estado. A mania bu­rocrática de transformar o Estado em nosso pai em vez de fazermos dele o nosso conselho de administração (mania sustentada por todos os que olham para o Estado de maneira timorata, mimada e infantil, em vez de adulta e participativa) chama-se em termos correntes paternalismo. E tem um sucesso que nem imaginas!
Há dois tipos de irresponsáveis infantilóides: os que têm medo dos outros e os que têm medo de si próprios. Nos dois casos, a consequência final é a mesma: quantas mais proibições, mais seguros e contentes. Como os irresponsáveis de que estamos a falar consideram que o Estado é o seu Grande Pai, rezam-lhe à sua maneira pedindo: «não nos deixes cair em tentação». Porque todos os irresponsáveis, em vez de acreditarem na liberdade (que é uma coisa bonita mas muito comprometida), acre­ditam no mito da tentação irresistível. Quer dizer, acreditam que há cer­tas imagens, ou palavras, ou substâncias, ou conspirações, ou seja lá o que for, que nos seduzem de modo tão automático e envolvente que frente a elas não há defesa que se aguente pois o seu efeito é aniquilar em nós qualquer capacidade de decio. Vamos , como diria o outro: um homem não é de pau ... Assim, a única salvação é aparecer o paizi­nho Estado para proibir a tentação: quando deixa de haver tentação, deixa também de haver perigo, pensam os pobres tolos. Podes crer que são espíritos infantis os que assim raciocinam. 
 
Savater, F. (1993). Política para um Jovem. Lisboa: Editorial Presença.